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ONU mobiliza para frear poluição plástica; economia circular é boa alternativa

Publicado em 09/05/2022 às 07:58 edição Lenilde Pacheco


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Plástico descartado incorretamente oferece riscos - Foto: Hamsterfreund/Pixabay

O plástico descartado de forma incorreta na natureza percorre um caminho não linear e pode voltar à mesa das pessoas como parte integrante de alimentos e bebidas. Neste cenário, a Organização das Nações Unidas (ONU) concordou em março com o lançamento de uma negociação histórica que pretende quebrar o ciclo da poluição plástica que também afeta a economia global.

Em atenção às toneladas de resíduos que põem em risco o futuro da vida humana e a biodiversidade, a Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente adotou uma moção que cria um “Comitê de Negociação Intergovernamental”, que deve preparar um texto juridicamente vinculante até 2024. A decisão ocorreu em Nairóbi, no Quênia.

Os negociadores devem se concentrar no “ciclo de vida” completo do plástico, o que inclui os impactos de sua produção, uso, descarte e reciclagem. Além disso, estão em pauta negociações sobre metas globais e criação de ferramentas de controle e de planos de ação nacionais.

Murilo Zappellini, Head de Compras da Alpla na América do Sul e Colíder do Movimento RePense o Plástico, acredita que a agenda anunciada pela ONU a respeito do “ciclo de vida” completo do material é um passo importante para a humanidade. “Reconhece-se, em um acordo intergovernamental global, o mais importante de um ponto de vista ambiental e climático desde o acordo de Paris, em 2015, que é mais valioso discutir uma agenda produtiva de circularidade, do que dar vida à ‘vilanização’ do plástico”.

Além de tratar e definir metas globais da reciclagem, reuso, redução do uso do plástico e seu ciclo de vida, acrescenta Murilo Zappellini, o acordo irá impactar a vida de milhões de pessoas economicamente expostas, com uma importante pegada de responsabilidade social. Murilo afirma que já foram realizadas iniciativas para fomentar a economia circular, mas lideradas por Organizações Não Governamentais e instituições que, não necessariamente, estavam conectadas aos governos.

“A ALPLA, por exemplo, é signatária da Fundação Ellen McArthur. O anúncio de uma nova jornada intergovernamental em economia circular fomenta ainda mais o assunto, conectando grandes praças. Além disso, traz à tona, de maneira oficial, os governos em um mundo cada vez mais demandante por medidas sustentáveis”, diz. “Essa responsabilidade integrada entre sociedade, indústria e governos tem um papel fundamental para o sucesso de quaisquer metas socioambientais e seus resultados”.

Aliança socioambiental

Na perspectiva de Murilo, medidas práticas podem ser tomadas para que o avanço defendido pela ONU seja, de fato, efetuado. Para tanto, empresas e governos podem agir, mas não sem a participação da sociedade.

“Esse tripé é, sem dúvida, base para o sucesso de quaisquer agendas socioambientais. Enquanto os governos legislam e fiscalizam os temas e metas em torno da circularidade, as indústrias criam e fomentam produtos com uma pegada sustentável, com metas bem definidas. A sociedade, por sua vez, tem papel preponderante na demanda por produtos cada vez mais sustentáveis e com menor pegada ambiental”

Aliás, complementa, a agenda ESG das empresas é o que define e, cada vez mais guiará, o capital dos investidores. “Quanto maior o resultado socioambiental, maior será o capital. Esse é um caminho sem volta”, finaliza.