Mudança do Clima: Chuva extrema causa danos a 377 municípios brasileiros
Publicado em 03/03/2026 às 15:03 edição Lenilde Pacheco
Chuvas causaram a morte de 72 pessoas e perdas financeiras superiores a R$ 630 milhões - Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) realizou um levantamento acerca dos danos e prejuízos causados por temporais nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, em todo o país. As chuvas já afetaram 377 municípios brasileiros e causaram desastres como inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos, somando 548 decretos de anormalidade. Só nesse período, foi apontado mais de R$ 1,4 bilhão em prejuízos econômicos, ambientais, materiais e estruturais em toda região.
Nos últimos dias, os temporais que ocorreram em todo o país já afetaram 1,1 milhão de pessoas, com mais de 25,2 mil desabrigadas e desalojadas. Um total de 72 pessoas perderam suas vidas em municípios localizados em Minas Gerais: 48 em Juíz de Fora e 6 em Ubá. Além das perdas humanas, a cidade de Ubá registrou prejuízo de R$ 313,7 milhões.
A CNM ressalta que os prejuízos aos cofres públicos municipais já somam R$ 630,2 milhões. Foram 12,5 mil casas danificadas e/ou destruídas, somando um impacto de R$ 77,8 milhões. O setor privado, como agricultura, pecuária, indústria e comércio, teve um prejuízo de R$ 771,6 milhões. A fonte é a plataforma S2Id/MIDR, com dados das Defesas Civis Estaduais e Municipais.
Além dos prejuízos nos Municípios destacados acima, as localidades de Santa Carmem (MT), São João de Meriti (RJ) e Formiga (MG) registram perdas econômicas de R$ 171,9 milhões, R$ 97,3 milhões e R$ 91,7 milhões, respectivamente.
A CNM se mostra solidária a todos os Municípios atingidos pelo excesso de chuvas, em especial aos Municípios mineiros de Juíz de Fora e Ubá.
De acordo com a Lei 12.608/2012 que rege o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sinpdec), nos casos de desastres, é dever da União e dos Estados apoiar os Municípios nas ações de buscas, socorro e assistência humanitária, monitoramento, prevenção, recuperação e reconstrução.
A entidade destaca orientações importantes para os gestores que necessitem solicitar assistência humanitária e recursos financeiros à União para recuperação e reconstrução das áreas destruídas e danificadas pelas chuvas. Confira:
Nas ocorrências de desastres, acione as defesas civis estaduais e da União para solicitar ações de socorro e assistência humanitária para a população atingida, além de efetuar a decretação municipal e avaliação dos danos e prejuízos;
Solicite o reconhecimento de anormalidade diretamente à União, por meio do S2iD, onde também deve ser inserido o plano de trabalho para formalizar a solicitação de recursos financeiros para ações de resposta, como assistência humanitária (água, colchões, cesta básicas, dentre outros), além de obras emergenciais como reconstrução de pontes, asfaltamento, limpeza urbana, sistemas de drenagem, entre outros.
A CNM alerta que o Sinpdec determina que a União, Estados, Distrito Federal e Municípios devem atuar de forma articulada para reduzir os riscos de desastres. Porém, na prática, os Municípios enfrentam dificuldades para cumprir suas responsabilidades. Um dos principais desafios é a falta de apoio técnico e financeiro para mapear áreas de risco e produzir alertas antecipados, tarefa essencial para a elaboração e execução dos Planos de Contingência.
Conclima
A CNM lidera a criação do Consórcio Nacional para Gestão Climática e Prevenção de Desastres (Conclima) para fortalecer a atuação dos municípios na prevenção e resposta a desastres e na adaptação às mudanças do clima. O Conclima apoiará os municípios com orientação técnica, elaboração de planos exigidos por lei e planos de trabalho para captação de recursos, promovendo sustentabilidade e resiliência nos Municípios consorciados.
Bahia
Nas últimas 72 horas, volumes expressivos de chuva foram registrados em diversas regiões da Bahia, com destaque para o Recôncavo, Sul, Sudoeste e Chapada Diamantina. De acordo com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), os maiores acumulados observados no período, onde há dado de monitoramento, ocorreram nos municípios de Wenceslau Guimarães (175,6 mm), Teolândia (131,6 mm), Camaçari (130,8 mm), Nilo Peçanha (125,2 mm), Tanhaçu (124,0 mm), Barra da Estiva (122,8 mm) e Gentio do Ouro (120,2 mm).
O coordenador de Estudos de Clima e Projetos Especiais, Aldírio Almeida, explica que os volumes registrados são considerados elevados para o período e já resultam em impactos como alagamentos, enchentes, enxurradas, danos estruturais e o registro de pessoas desalojadas e desabrigadas em diversos municípios baianos. “O cenário é particularmente sensível em municípios que já se encontram em situação de emergência, como Irecê, Barra, Alagoinhas, Cipó e Wenceslau Guimarães, onde o solo já se encontra saturado, aumentando a vulnerabilidade a novos eventos adversos”, disse.
Segundo balanço da Superintendência de Proteção e Defesa Civil (Sudec), outros seis municípios, além dos mencionados por Aldírio, também já decretaram situação de emergência e já recebem ajuda humanitária: Ribeira do Amparo, Ribeira do Pombal, Camacan, Ituaçu, Arataca e Cícero Dantas.