Mubadala Capital cria Acelen e assume o controle da Refinaria de Mataripe na Bahia
Publicado em 02/12/2021 às 08:03 edição Lenilde Pacheco
Refinaria deu origem ao primeiro complexo petroquímico do Brasil - Foto: André Valentim
O Mubadala Capital e a Petrobras concluíram a transferência do controle da Refinaria de Mataripe (antes denominada RLAM) para a Acelen. O contrato de venda foi firmado em março deste ano, e a transferência do controle foi concluída após o cumprimento das condições precedentes previstas. A Acelen – empresa criada pelo fundo árabe Mubadala Capital para essa operação -, assumiu ontem (1º) a gestão da Refinaria de Mataripe e seus ativos logísticos.
A Acelen afirma em nota que continuará a abastecer o mercado de derivados de petróleo regional e “assume o compromisso de fomentar investimentos, gerar novas oportunidades de negócios e estimular o desenvolvimento da Bahia e do Brasil”.
“Esta nova fase trará oportunidades de crescimento e mais investimentos para que a refinaria aumente a sua capacidade e diversifique a sua produção. O nosso objetivo é criar valor. É gerar uma concorrência positiva para atender o mercado local e beneficiar a sociedade”, destaca Oscar Fahlgren, presidente do Mubadala Capital no Brasil.
A Acelen nasce com capacidade de processar mais de 300 mil barris de petróleo por dia, o que corresponde a 14% da capacidade total de refino do Brasil. Adicionalmente, a Acelen é responsável pela maior produção industrial da Bahia.
Contratadas pela Acelen, Petrobras e Transpetro prestarão serviços relacionados à operação da refinaria e seus ativos logísticos para garantir uma transição sem risco de rupturas.
“Nos últimos meses, a Acelen se preparou para essa transição, mapeando todos os processos operacionais e toda a cadeia de abastecimento. A empresa valoriza a experiência dos colaboradores da Petrobras, e espera contar com todo o time que está na linha de frente da operação após o fim do contrato com a Petrobras”, diz Luiz de Mendonça, CEO da Acelen.
Localizada no distrito de Mataripe, em São Francisco do Conde, e inaugurada em 1950, a RLAM foi a primeira refinaria nacional, e representa um marco econômico e industrial no país. Atualmente é segunda maior do Brasil, com a maior capacidade instalada para produção de gasolina, diesel e outros derivados de petróleo das regiões Norte e Nordeste.
São 26 unidades de processamento, quatro terminais e 201 tanques de armazenamento, além de 669 quilômetros de dutos que interligam a refinaria com os terminais portuários. A unidade produz mais de 30 produtos, entre eles diesel, gasolina, querosene de aviação (QAV), asfalto, nafta petroquímica, gases petroquímicos (propano, propeno e butano), parafinas, lubrificantes, GLP e óleos combustíveis (industriais, térmicas e bunker).
A refinaria possibilitou o desenvolvimento do primeiro complexo petroquímico planejado do Brasil e maior complexo industrial do Hemisfério Sul, o Polo Industrial de Camaçari, formado por mais de 90 empresas.