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Mineração amplia uso de fontes renováveis para acelerar a descarbonização

Publicado em 05/01/2024 às 00:03 edição Lenilde Pacheco


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Setor investe em pesquisa e na remodelação da matriz energética - Foto: Ricardo Teles/Gov Federal

A indústria da mineração do Brasil elaborou um projeto setorial voltado à descarbonização de suas atividades industriais, por meio da inovação de rotas, modelos de visão sistêmica integrada, com ênfase na transição energética para fontes renováveis. Mais de dez mineradoras aderiram à iniciativa, fruto de uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o Governo Britânico no Brasil e o Mining Hub – espaço de inovação do setor mineral.

“Temos um cluster de desenvolvimento aberto de tecnologia da informação (TI) que analisa o inventário da nossa pegada de carbono e, a partir daí, estabelecemos quais serão nossas metas para os próximos anos”, explicou o diretor-presidente do Ibram, Raul Jungmann.

Atualmente, a mineração contribui com 0,5% dos gases de efeito estufa (GEE) emitidos no Brasil. Para reduzir esse impacto, as empresas do setor têm investido tanto em pesquisa quanto na transformação de modelos de produção e extração de minérios, bem como na remodelação da matriz energética do país.

Estudo elaborado pela EY Latam em parceria com o Ibram mostra que além das mudanças climáticas constantes, outros fatores interferem diretamente no avanço de projetos de baixa emissão de carbono ao redor do mundo. A agenda ESG; o acesso a capital e o contexto geopolítico se destacam.

A Vale, por exemplo, desenvolve uma série de projetos de sustentabilidade dentro de suas minas. Um deles é o Plano de Gestão da Biodiversidade de Carajás. Em parceria com o Instituto Chico Mendes de Preservação da Biodiversidade (ICMBio), a empresa desempenha ações de proteção e conservação da fauna e flora da região, além de praticar atividades de reflorestamento e recuperação de áreas desmatadas. Até o momento, foram preservados cerca de 800 mil hectares de ambientes naturais no Mosaico de Carajás, no Pará.

“Para a Vale, não existe mineração no Brasil se a Amazônia não for preservada”, reforça a gerente geral de Mudanças Climáticas, Vivian Mac Knight.

Há mais de 30 anos na Amazônia, a empresa atua em parceria com o governo federal e ONGs da região promovendo atividades de pesquisa, extração, reflorestamento e proteção das comunidades indígenas.

Há também o compromisso com a neutralização da emissão de carbono. “A gente tem atrelado ações de proteção, gerenciamento e restauração da floresta às nossas estratégias de descarbonização. A longo prazo, a gente tem a meta de ser netzero até 2050. A gente sabe que terão emissões residuais e que a natureza vai contar como parte dessa solução”.

Desafios do setor

Para o Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES), a mineração tem diante de si alguns obstáculos a serem superados. Entre eles está o de fazer com que os produtos verdes tenham greenium, certificados de reconhecimento de organizações mundiais.

Para a diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudanças Climáticas do BNDES, Luciana Costa, a obtenção desses prêmios também mostrará que o país tem vantagem em diversos setores essenciais para a transformação da economia verde.

“Nosso grande desafio é o custo de capital para produtos verdes, que ainda não têm greenium. O Brasil tem vantagem competitiva no portfólio de minerais críticos, na matriz energética limpa, na energia renovável barata. Então, a gente vai conseguir produzir hidrogênio verde, HBI verde e, no momento em que tiver prêmio, o mundo vai precisar disso do Brasil”.

Oportunidades de extração

A indústria também tem oportunidades de atuação ao explorar minerais críticos. O Brasil tem 94% das reservas mundiais de nióbio, 22% de grafite e 16% de níquel, e o incentivo financeiro de fontes como ONGs, governos externos e o próprio governo federal pode apresentar resultados positivos.

O BNDES, por exemplo, está desenvolvendo o Fundo de Minérios Críticos para investir recursos tanto na criação de um portfólio com oportunidades de extração quanto em pesquisas de atuação no early stage da mineração.

Entretanto, para garantir que haja recursos, é necessário cooperação. De acordo com Luciana Costa, “não vai ter recurso público para fazer todo o investimento que precisa ser feito na mineração e a gente precisa de cooperação de todas as formas de capitais. As pessoas precisam mudar seus hábitos, os governos precisam buscar cooperação entre países, com grandes líderes atuando no setor público e privado”.

Sobre o Projeto Indústria Verde

O Indústria Verde é uma iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para apresentar as contribuições da indústria brasileira à agenda ambiental. A indústria é parte da solução no desenvolvimento sustentável. O setor produtivo é um dos pioneiros a assumir a responsabilidade de estimular a implementação dos compromissos climáticos no país.

Com Indústria Verde