Litoral brasileiro: Microplásticos inundam 70% das praias analisadas pelo Projeto MicroMar
Publicado em 06/10/2025 às 00:27 edição Lenilde Pacheco
Estudo reuniu 4.134 amostras de areia de 1.024 praias ao longo de mais de 7.500 km da costa brasileira - Foto: Agência SP
A poluição por microplásticos nos oceanos atingiu níveis alarmantes, ameaçando ecossistemas marinhos e a saúde humana. Estudos recentes apontam que essas partículas – resultado da degradação de plásticos descartados – já estão presentes em praticamente todas as camadas do oceano e em espécies consumidas pelo homem, evidenciando a urgência de medidas globais para conter esse avanço devastador, razão pela qual pesquisadores de todo o Brasil atuam no Projeto MicroMar, coordenado pelo professor Guilherme Malafaia, do Instituto Federal Goiano, e apoiado pelo CNPq e pelo MCTI.
A Universidade Federal da Bahia (UFBA), representada por um grupo do Departamento Ciências Biológicas do Instituto de Biologia, integrou a equipe executora do Projeto MicroMar, somando esforços para a realização de um levantamento em larga escala sobre a poluição microplástica em praias ao longo de toda a costa brasileira, a fim de obter a um diagnóstico abrangente e inédito no Brasil sobre essa temática.
Os resultados finais do projeto, coordenado pelo professor Guilherme Malafaia, do Instituto Federal Goiano, acabam de ser publicados no periódico internacional Environmental Research (Elsevier) com dados relativos a 4.134 amostras de areia de 1.024 praias ao longo de mais de 7.500 km da costa brasileira, constituindo a pesquisa mais abrangente do tipo no Mundo.
A análise demonstrou que cerca de 70% das praias avaliadas estavam contaminadas por microplásticos, em níveis que variaram de 0 a 3.483 partículas por quilo de sedimento. No total, foram identificados 24.549 microplásticos, predominantemente fragmentos brancos, azuis e verdes. Entre os polímeros mais frequentes estão o polietileno (PE), poliestireno expandido (EPS) e polipropileno (PP), usados amplamente em embalagens descartáveis.
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Além disso, os pesquisadores estabeleceram pela primeira vez um valor de referência nacional (27,09 MPs/kg) e identificaram hotspots críticos de poluição em estados como Paraná, Sergipe, São Paulo e Pernambuco, assim como áreas de risco ecológico elevado em municípios de diferentes regiões. Nossas análises também revelaram que fatores como proximidade a canais de esgoto, rios e zonas urbanas são determinantes para a concentração de microplásticos nas praias.
O pesquisador Thiarlen Marinho, vinculado ao Instituto Federal Goiano (IF Goiano) e à Universidade Federal de Goiás (UFG), explica que esses achados, inéditos em escala nacional e internacional, trazem subsídios robustos para políticas públicas, estratégias de mitigação e conscientização da sociedade. “Portanto, entendemos que podem ser de especial interesse sobretudo pela urgência e relevância de discutir como a presença de microplásticos ameaça não apenas os ecossistemas costeiros, mas também a segurança alimentar, a economia pesqueira e, em última instância, a qualidade de vida da população brasileira”, assinalou.