Indústria de mineração apresenta seus compromissos alinhados à COP30
Publicado em 29/10/2025 às 00:27 edição Lenilde Pacheco
Raul Jungmann e Ana Sanchez apresentaram os compromissos da mineração alinhados à COP30 - Foto: Divulgação
O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) antecipou nesta terça-feira (dia 28), em Salvador, a apresentação de cinco compromissos setoriais que conectam metas ambientais e sociais a indicadores tangíveis com foco em energia, biodiversidade, água, adaptação às mudanças climáticas e descarbonização. Resultados de um estudo a ser detalhado durante a COP30 (conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas), os cinco itens são mensuráveis e concretos para atender à coordenação da conferência que será realizada de 10 a 21 de novembro, em Belém.
Tão relevante para a economia quanto em seu impacto ambiental, a indústria de mineração convive com a urgência de reduzir emissões, recuperar áreas degradadas e alinhar a atividade às metas globais de sustentabilidade. As empresas associadas ao Ibram comprometem-se a dar previsibilidade a investimentos e atuar para fortalecer os objetivos da COP30, incluindo transição energética e resiliência em cidades.
O anúncio dos compromissos foi feito por Raul Jungmann, diretor-presidente do Ibram, e por Ana Sanches, presidente do Conselho Diretor e CEO da Anglo American no Brasil, em entrevista coletiva, no Centro de Convenções de Salvador, onde acontece a Exposibram 2025, CEOs de outras mineradoras e integrantes do Conselho do Ibram também participaram.
“Esses compromissos foram amplamente discutidos com nossos associados, são verificáveis e serão monitorados publicamente com total transparência e reportados periodicamente. Eles representam o compromisso da mineração brasileira com o país, com o planeta e com as próximas gerações”, destacou Jungmann. Em referência ao fato de que o setor mineral irá apresentar os compromissos durante os debates da COP30, em novembro, o presidente do IBRAM disse que esta COP será de ações, conforme disse o presidente designado da conferência, embaixador André Corrêa do Lago. “Agora é a hora dos compromissos. A mineração brasileira é um dos primeiros setores a apresentar metas concretas e mensuráveis para a transição climática”, disse Raul Jungmann.
Para Ana Sanches, o ‘timing’ de divulgação dos compromissos ambientais do setor mineral “é perfeito” e eles estão alinhados à pauta da COP30 bem como aos ODS, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, das Nações Unidas. Ela destacou que a indústria da mineração dará ampla publicidade à sociedade ao andamento dos compromissos anunciados:
Energia
• Meta: ampliar em 15% a participação de fontes renováveis na matriz energética do setor mineral até 2030, contribuindo para operações de baixo carbono. Métrica: razão entre consumo de energia renovável e consumo total. Linha de base 2023: 149 milhões de Gigajoules de origem renovável (GJ renovável) sobre 331 milhões de GJ totais, razão aproximada de 0,45. Meta 2030: 0,49. Obs: um gigajoule equivale a aproximadamente 277,78 kWh.
Natureza positiva (Biodiversidade)
• Meta: ampliar em 10% o ganho líquido de biodiversidade até 2030, medido pelo aumento da razão entre áreas protegidas e áreas impactadas pelas operações. O compromisso dialoga com objetivos nacionais e internacionais de conservação e restauração.
Água
• Meta: reduzir em 10% o uso específico de água nova por tonelada de ROM (Run-of-mine, em português “minério bruto”) até 2030, com ênfase em eficiência hídrica e menor pressão sobre recursos. Linha de base 2023: 171,1 milhões de m³ de água nova para 561,6 milhões de toneladas de ROM, razão 0,305. Meta 2030: 0,237.
Adaptação
• Meta: fomentar a elaboração de 30 planos municipais de adaptação às mudanças do clima em territórios com mineração até 2030, integrando a agenda climática a planos diretores, mobilidade, saneamento e infraestrutura urbana. Ferramentas de apoio: Índice de Progresso Social, estudo de maturidade da Defesa Civil e aplicativo PROX.
Descarbonização
• Adotar padrões de governança e métricas capazes de acelerar a transição: redução das emissões diretas do setor; contribuição à queda de emissões na cadeia global do minério de ferro; viabilização da transição energética por meio de minerais críticos e estratégicos. Linha de base de emissões diretas (Escopo 1 e 2): 12,8 MtCO₂e (Megatoneladas de dióxido de carbono equivalente). Trajetórias indicativas: redução de 40% a 50% até 2035 e de 90% a 95% até 2050, com alavancas como substituição de combustíveis fósseis, eletrificação, contratos de energia renovável de longo prazo, eficiência e soluções baseadas na natureza.
Convergências com a pauta da COP30
• Energia: triplicar renováveis e duplicar eficiência energética como orientação de política, com sinalização para setores de difícil descarbonização.
• Natureza: investimentos em conservação, restauração e uso sustentável de ecossistemas.
• Água e cidades: governança multinível e infraestrutura resiliente como eixos de adaptação climática.
Sobre o Ibram
O Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) é uma organização privada, sem fins lucrativos, com mais de 300 associados, responsáveis por mais de 85% da produção mineral do Brasil. Suas ações são direcionadas para a construção de um ambiente favorável aos negócios em bases sustentáveis, promovendo a competitividade e a responsabilidade socioambiental da atividade mineral.