COP16: CNI apresenta recomendações para temas prioritários à biodiversidade
Publicado em 23/10/2024 às 00:36 edição Lenilde Pacheco
Meta é conciliar a conservação ambiental e o progresso econômico - Foto: Mário Oliveira/MTur
A Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP16), iniciada nesta segunda-feira (21), em Cali, na Colômbia, reúne representantes da indústria brasileira na intensa programação e discussões relativas à Convenção sobre Diversidade Biológica. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lidera a maior delegação empresarial brasileira já reunida para a assembleia, que chega à 16ª edição.
Como membro observador, a CNI apresenta subsídios técnicos e científicos que são fundamentais para as negociações. Neste ano, a confederação apresentará o documento Visão da Indústria sobre a COP16, em que explora sete temas críticos que refletem as prioridades da agenda internacional e conversam diretamente com o setor industrial.
Nele, constam proposições e alertas relacionados às metas nacionais e ao monitoramento do plano de biodiversidade, à repartição de benefícios pelo uso de informações de sequências genéticas digitais e a recursos necessários ao financiamento da biodiversidade.
“O Brasil tem a maior biodiversidade do mundo e potencial para liderar, pelo exemplo, a busca por soluções que conciliem a conservação ambiental e o progresso econômico. A participação propositiva da indústria brasileira na COP16 é essencial para assegurar que as decisões tomadas sejam relevantes e possam ser aplicadas ao contexto nacional”, destaca o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Ele aponta que o documento Visão da Indústria sobre a COP16 contempla temas considerados estratégicos pela CNI para o Brasil e para a indústria nacional nas negociações em Cali. “Mais uma vez, pretendemos contribuir com esse debate, fundamental para o futuro do planeta e o bem-estar das pessoas”, complementa Alban.
Uma das principais preocupações da entidade é quanto ao avanço na atualização das Estratégias e Planos Nacionais relacionadas à conservação e uso sustentável dos recursos da biodiversidade. Essas metas representam compromissos para a proteção e o uso sustentável dos recursos naturais, além de serem a base para impulsionar novas políticas e incentivos.
Outro ponto relevante é o planejamento, monitoramento e revisão do Plano de Biodiversidade. A CNI defende a adoção de mecanismos claros e eficientes, que possibilitem o acompanhamento transparente do progresso, identificando lacunas e permitindo uma tomada de decisão informada para o alcance das metas estabelecidas.
Financiamento da biodiversidade
Outro desafio da COP16 é mobilizar recursos financeiros concretos e provenientes de diferentes fontes para acelerar a implementação dos compromissos ambientais dos países. Atualmente, estima-se que o financiamento destinado à biodiversidade cubra de 16% a 19% da necessidade total para deter a perda da biodiversidade no mundo. Isso significa um déficit médio de US$ 711 bilhões por ano.
A repartição justa dos benefícios resultantes do uso de Informações de Sequências Digitais (DSI) é outro tema de grande interesse da indústria brasileira. Na COP15, realizada em 2022, no Canadá, os países concordaram com o estabelecimento de um Mecanismo Multilateral para este fim, e nesta edição na Conferência, há expectativa que as negociações avancem para a formulação do instrumento mais adequado, que seja eficiente e eficaz. O tema coloca o Brasil e a indústria em posição estratégica nas negociações, promovendo o desenvolvimento tecnológico e a inovação de forma justa e inclusiva.
A CNI também recomenda o aperfeiçoamento dos vínculos entre biodiversidade e mudanças climáticas para criar soluções resilientes e adaptadas e o aprofundamento das discussões relacionadas à biologia sintética como campo de grande potencial para a inovação.
“Com essas propostas, a CNI destaca sua posição de protagonismo e compromisso com a sustentabilidade, propondo caminhos e soluções concretas para o Brasil continuar avançando em direção a um futuro no qual a conservação, o uso sustentável da biodiversidade e a prosperidade econômica sejam plenamente integradas”, frisa o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz.