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Comitê de Bacias Hidrográficas analisa a poluição por microplásticos

Publicado em 13/08/2024 às 20:55 edição Lenilde Pacheco


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Uso de plásticos: especialista propõe ênfase às ações para mitigar os impactos negativos - Foto: Divulgação

A gestão sustentável dos recursos hídricos foi discutida por integrantes do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios dos Frades, Buranhém e Santo Antônio (CBHFrabs), durante reunião ordinária realizada na Unidade Regional do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), em Eunápolis (525 km de Salvador).

Com a presença de diretores, membros e convidados, foram apresentados detalhes do estudo “Avaliação da contaminação por microplásticos em estação de tratamento de água”, com a participação da engenheira sanitarista e ambiental, Raiane Silva da Cruz.

A pesquisadora explicou que os microplásticos medem até 5mm de comprimento. “O estudo foi realizado na estação de tratamento de água do município de Porto Seguro, que é administrada pela Embasa e tem como fonte de captação o rio dos mangues”, explicou.

A autora do estudo também citou os impactos e desafios desse cenário em diversos setores, como os reflexos na economia, saúde e até na logística de produção do plástico. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas por ano. O Brasil é responsável por 6,7 milhões de toneladas do material, conforme dados do Perfil 2022 da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).

A especialista Raiane Silva da Cruz observou, ainda, a necessidade de serem observados os impactos positivos e negativos da cadeia produtiva do plástico e buscar meios de equilibrar os benefícios à ênfase em ações necessárias para mitigar os impactos negativos. “Alguns deles possuem alto grau de toxicidade, o que requer cuidados ainda maiores”, alertou.

Ela mencionou o alerta mundial para os riscos da poluição plástica e mostrou a desproporção entre a produção, reutilização e reciclagem do material. O agravamento da utilização sem controle, incluindo o descarte inadequado, tem motivado estudos sobre o microplástico em escala mundial.

“Alguns destes levantamento já confirmaram a presença e danos ao organismo humano. Já tem também muitos estudos voltados à fauna aquática, mas eu trago aqui alguns destaques, que são a presença do microplástico no pulmão humano, no sangue, na placenta, no intestino”, lamentou.

O presidente do CBHFrabs, Marcos Bernardes, destacou a importância da discussão do tema para sensibilização da sociedade de forma geral, além do conhecimento compartilhado entre os membros.

“É muito importante que a gente tenha esse tipo de estudo porque a gente não faz ideia do grau de exposição ao qual nós estamos sujeitos enquanto sociedade, seja para os microplásticos, seja para aquilo de forma geral que se chama de contaminantes emergentes”, afirmou.

Para Marcos Bernardes, a elaboração de pesquisas são essenciais para a implementação de ações e iniciativas voltadas para o acompanhamento e fiscalização no monitoramento da distribuição da água. “O conhecimento contribui para o trabalho de sensibilizar a sociedade e, segundo, fazer com que sejam tomadas medidas de acompanhamento, de fiscalização”.

A reunião também debateu a situação das outorgas de direito de uso de recursos hídricos na bacia hidrográfica na região do Imbiruçu de Dentro, bacia hidrográfica do rios dos Mangues; e a revitalização do córrego Chamagunga e outras nascentes no entorno, com a participação dos representantes da Associação dos Moradores e Proprietários do Paraíso dos Pataxós e da Associação de Moradores da Orla Norte.

A partir disso, Bernardes ainda ressaltou o caráter social do CBHFrabs no tratamento das demandas da comunidade. “É interessante destacar que são trabalhos desenvolvidos, são demandas trazidas por um conjunto de associações de bairro, o que demonstra o reconhecimento social do Comitê de Bacias, na discussão de temas, por exemplo, sobre assoreamento e obras em torno de corpos hídricos”, finalizou.