Com tecnologia e inovação, hidrogênio verde contribui para futuro sustentável
Publicado em 25/01/2023 às 13:09 edição Lenilde Pacheco
Inicialmente, a fábrica da Unigel vai utilizar o hidrogênio para produzir amônia e fertilizantes - Foto: Divulgação
Lenilde Pacheco*
O hidrogênio verde conquistou destaque em discussões socioambientais que colocam a comercialização de combustíveis em
confronto com a necessidade de cumprimento de metas compulsórias para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa.
Se o assunto é conter o aquecimento global e viabilizar um futuro sustentável para o planeta, tornou-se inadiável a substituição dos combustíveis fósseis, a fim de obter uma economia de baixo carbono. O debate, então, põe em pauta o hidrogênio verde (H2V), produzido com uso de fontes renováveis.
A boa notícia é que o Brasil, em particular o Nordeste, possui vantagens competitivas para produção do hidrogênio verde, em razão do elevado potencial eólico e solar e pela competitividade da energia gerada por essas fontes de energia limpa. É certo que ainda damos os primeiros passos, mas as diferentes iniciativas em andamento valorizam esse potencial.
A Bahia sedia a primeira fábrica brasileira de hidrogênio verde com investimentos projetados que chegam a US$ 1,5 bilhão, divididos em três etapas. Na primeira delas a Unigel – uma das maiores fabricantes de fertilizantes e amônia na América Latina – está investindo US$ 120 milhões e contará com a tecnologia de eletrólise da água, alimentada por geradores eólicos. Único de escala industrial do país, o projeto encontra-se em processo de implantação no Polo de Camaçari em parceria com a alemã ThyssenKrupp.
Inicialmente, a fábrica da Unigel vai utilizar o hidrogênio para produzir amônia e fertilizantes. Depois, promoverá o uso comercial do hidrogênio. A ideia é produzir para o mercado interno e também exportar. Importante combustível para automóveis, ônibus, caminhões e aviões, o hidrogênio pode ser usado para armazenar energia nas produções siderúrgicas, químicas, petroquímicas, alimentícias e de bebidas.
A Bahia tem potencial para produzir mais de 60 milhões de toneladas de hidrogênio verde por ano, considerando os potenciais de energia solar e eólica associados à disponibilidade de recursos hídricos, mostra o Mapa do Hidrogênio Verde do Estado da Bahia, elaborado pelo Senai-Cimatec.
Em mais de 30 países, estão em andamento centenas de projetos relacionados ao hidrogênio verde. Alemanha, Coreia do Sul, Japão, China, França e Estados Unidos apostam no setor. Todos dependem de uma cadeia sustentável que exige anos para ser organizada e consolidada; no Brasil, talvez leve ainda uma década.
Isso porque será preciso reduzir custos, fixar preço, equacionar transporte e distribuição e definir o armazenamento do H2V para ter uma completa e eficiente cadeia de produção. Quando ultrapassados todos os obstáculos, o hidrogênio verde certamente fortalecerá a economia, colocando a Bahia e o Brasil na vanguarda da reindustrialização, nova fase do desenvolvimento industrial.
* Lenilde Pacheco é jornalista especializada em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.