ONU pede soluções eficazes para reverter a degradação dos oceanos
Publicado em 28/06/2022 às 18:24 edição Lenilde Pacheco
Foto: Blandine Joannic/Pixabay
Delegações de mais de 130 países participam da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, em Lisboa. Além dos governos, representantes da ONU, sociedade civil, setor privado e cientistas estão unidos por uma preocupação comum: reverter os danos causados pela poluição nos oceanos e vida marinha.
Antes da abertura do encontro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que “somos os responsáveis pelos problemas dos oceanos, como poluição, pesca excessiva e branqueamento dos corais”.
Guterres disse que as soluções precisam ser encaminhadas e a Conferência dos Oceanos é uma oportunidade para “demonstração de um compromisso real com a economia azul sustentável”.
Os oceanos cobrem 70% da superfície da Terra e concentram cerca de 80% de toda a vida terrestre, além de gerar 50% do oxigênio que necessitamos e absorverem 25% de todas as emissões de dióxido de carbono, mostram dados da ONU.
Se levar em conta a importância deste ecossistema – inclusive para a economia das cidades litorâneas – os seres humanos depositam, por ano, mais de 11 milhões de toneladas de plásticos nos oceanos, como assinalou o ministro da Economia e do Mar de Portugal. Ao ser entrevistado pela ONU News em Lisboa, António Costa Silva lamentou esta deterioração.
“Como sabemos, o estado em que os oceanos se encontram é um estado que é muito mal. Nós temos tido a deterioração do sistema oceânico do nosso planeta e continuamos todos os anos a depositar mais de 11 milhões de toneladas de plástico no oceano, temos muitos dos ecossistemas que estão ameaçados. Portanto, eu espero muito por essa conferência, para que ela possa arredondar num plano de ação global, que depois pode ser declinado regionalmente a nível dos vários países, das várias plataformas que têm de ser mobilizadas.”
Além da poluição dos mares, a pesca excessiva é um problema que precisa ser combatido em todos os continentes. O ministro do Mar de Cabo Verde também falou com a ONU News antes de embarcar para Lisboa. Segundo Abraão Vicente, o setor da pesca também é responsável pela poluição marinha.
“O principal poluidor dos oceanos é a grande indústria da pesca. Quem mais polui com redes de plástico, quem mais estraga os oceanos com o depósito em alto mar de grandes quantidades de combustíveis, de lixo produzido pelos navios industriais, é a indústria da pesca. As discussões precisam contemplar esta realidade”, assinalou o ministro Abraão Vicente.
Ele observou que o arquipélago de Cabo Verde depende totalmente do mar. O país vai apresentar, ao longo da conferência que transcorre esta semana, um plano para garantir a sustentabilidade da pesca.
A sessão de alto nível da Conferência dos Oceanos da ONU aconteceu na Altice Arena, no Parque das Nações, em Lisboa. Além dos discursos de chefes de Estado, de governo e de ministros, ocorrem em simultâneo mais de 200 eventos paralelos com setor privado, sociedade civil e cientistas.
Até sexta-feira (dia 01), último dia do encontro, os países-membros das Nações Unidas assinarão uma declaração com uma série de medidas que devem ser tomadas para reverter a degradação dos oceanos.
FONTE: ONU NEWS