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Temperaturas muito altas serão mais frequentes a partir de 2030, indica estudo

Publicado em 07/01/2022 às 16:59 edição Lenilde Pacheco


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Anos quentes para todos, concluem os pesquisadores - Foto: PeggyChoucair/Pixabay

Quase todos os países do mundo poderão experimentar temperaturas muito altas uma vez a cada dois anos a partir de 2030, indica o estudo ‘Responsabilidade dos principais emissores pelo aquecimento ao nível do país e anos extremamente quentes‘, publicado nesta quinta-feira (6), pela revista Communications Earth and Environment, com ênfase nas atribuições dos maiores poluidores do mundo.

A pesquisa cruza dados históricos de emissões com os compromissos assumidos pelos cinco maiores emissores do mundo (China, Estados Unidos, União Europeia, Índia e Rússia) antes da conferência mundial sobre o clima COP26.

O objetivo é fazer previsões de aquecimento por região até o fim da década. O resultado mostra que 92% dos 165 países pesquisados terão um ano extremamente quente a cada dois. Os anos “quentes” acontecem quando atingem um nível recorde, que costumava ser alcançado uma vez a cada 100 anos na era pré-industrial.

Essa conclusão ressalta a urgência e mostra que caminhamos para um mundo muito mais quente para todos, assinalou Alexander Nauels, da ONG Climate Analytics, co-autor do estudo.

Para ilustrar a contribuição dos principais emissores para esse fenômeno, os pesquisadores recriaram como seria a situação se suas emissões fossem retiradas desde 1991, ano seguinte à publicação do primeiro relatório de especialistas climáticos da ONU (IPCC). De acordo com esse modelo, a proporção de países afetados por esses anos de calor extremo cairia para 46%.

Para Lea Beusch, da Universidade ETH de Zurique, o estudo mostra “a pegada clara” dos grandes emissores nas diferentes regiões. É muito importante, porque, em geral, falamos de quantidades abstratas de emissões ou de temperaturas mundiais que conhecemos, mas que não podemos sentir, explicou a pesquisadora.

A perturbação é particularmente evidente nas zonas tropicais africanas onde “as variações de um ano para o outro costumam ser bastante fracas”, de modo que, mesmo o aumento moderado que a região experimentará, em comparação com outras, a faz sair verdadeiramente do seu padrão climático conhecido, assinala Lea Beusch.

Em valores absolutos, os aumentos mais fortes ocorrerão nas altas latitudes do Hemisfério Norte, como já acontece. As consequências poderiam ser atenuadas com reduções significativas nas emissões dos países, mas, segundo a ONU, os compromissos atuais levarão a um aumento de 13,7% até 2030, longe dos -50% considerados necessários para atingir o objetivo ideal do acordo de Paris de 2015.

Fonte: Communications Earth & Environment