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Indicadores de mudanças climáticas atingem recordes alarmantes, alerta ONU

Publicado em 19/05/2022 às 07:04 edição Lenilde Pacheco


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Alarmante concentração de gases do efeito estufa - Foto: Catazul/Pixabay

Indicadores das mudanças climáticas bateram novos recordes em 2021, revelou um relatório da ONU divulgado nesta quinta-feira (18). Em razão dos dados alarmantes, as Nações Unidas reafirmaram alerta de que o sistema global de energia e o comportamento humano ameaçam conduzir a humanidade a um ponto sem retorno.

Dados fornecidos pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) demonstram que as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, o aumento do nível do mar, a temperatura e a acidificação dos oceanos atingiram, no ano passado, o maior nível já registrado. O relatório confirmou também que os últimos sete anos foram os mais quentes já registados.

De acordo com a OMM, apesar dos fenômenos climáticos relacionados com o La Nina no início e no final de 2021 terem resfriado o clima global no ano passado, em 2021, a temperatura média global foi 1,11°C mais alta do que na era pré-industrial.

“O clima está mudando diante de nossos olhos. O calor retido pelos gases de efeito estufa induzidos pela humanidade aquecerá o planeta por muitas gerações”, declarou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, em comunicado. “O aumento do nível do mar, o calor e a acidificação dos oceanos continuarão por centenas de anos”, enfatizou.

O relatório Estado do Clima mostra a “triste repetição do fracasso humano em combater os problemas climáticos”, avaliou o  secretário-geral das Nações Unidas sobre o documento produzido pela OMM.

António Guterres classificou de alarmantes os recordes atingidos com o aumento do nível do mar, aquecimento dos oceanos, concentração de gases do efeito estufa e acidificação dos oceanos.

O chefe da ONU afirmou que o “sistema energético global está quebrado” e com isso, estamos “cada vez mais próximos de uma catástrofe climática”. Guterres lembrou que os combustíveis fósseis são um caminho sem saída e ressalta que a guerra na Ucrânia e seus efeitos sobre o preço da energia é outro aviso para que o mundo acorde; o único futuro sustentável é um futuro renovável.

O secretário-geral acredita dar tempo de mudar a situação, mas para isso, “o mundo precisa agir ainda nesta década e manter a meta de 1,5”, se referindo ao aumento da temperatura média global a no máximo 1,5 graus Celsius acima dos níveis da era pré-industrial.

Gerações futuras

O relatório da OMM confirma que os últimos sete anos tem sido os mais quentes já registrados. O diretor da agência, Petteri Taalas, declarou que “o calor emitido pelos gases aquecerá o planeta pelas gerações futuras”.

Taalas prevê que problemas como aumento do nível do mar, aquecimento dos oceanos e acidificação continuarão “por centenas de anos, a não ser que sejam criados maneira de retirar o carbono da atmosfera”.

A OMM menciona outros exemplos dos impactos do desastre climático: secas no Chifre da África, enchentes fatais na África do Sul e calor extremo na Índia e no Paquistão. O clima extremo gerou ainda perdas econômicas de centenas de bilhões de dólares.

O relatório informa ainda que os gases de efeito estufa alcançaram um volume recorde em 2020, quando a concentração global de dióxido de carbono, CO2, atingiu 413,2 partes por milhão, um aumento de 149% em relação à era pré-industrial.

Alternativas

Sobre a acidificação dos oceanos, a OMM revela existir grande confiança de que “o pH na superfície do oceano está no menor nível dos últimos 26 mil anos”, sendo que os mares absorvem 23% das emissões de CO2 da atmosfera.

O secretário-geral da ONU apresenta algumas propostas para o sucesso da transição energética, como a criação de uma rede global sobre armazenamento de bateria liderada por governos e unindo empresas do setor tecnológico, manufatureiro e financiadores.

António Guterres pede também o fim do subsídio aos combustíveis fósseis, já que por ano, governos do mundo todo investem meio trilhão de dólares para reduzirem de forma artificial os preços de combustíveis como petróleo e gás.

Outra medida sugerida aos governos é para que reduzam as burocracias na hora de aprovar projetos que envolvam energia solar ou eólica.

FONTE: ONU NEWS