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Eventos climáticos extremos causam prejuízos de R$ 341 bi aos municípios brasileiros

Publicado em 07/04/2022 às 12:29 edição Lenilde Pacheco


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Estiagem impacta produção agrícola - Foto: Júlio Cavalheiro/Secom SC Gov

Os eventos climáticos extremos ocorridos no Brasil, entre 2013 e 2022, somam prejuízos que ultrapassam R$ 341 bilhões. É o que aponta estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM) relativo aos danos recorrentes causados pela seca e o excesso de chuvas. Foram 53.960 ocorrências no período, em 93% das cidades brasileiras.

O levantamento reúne dados coletados entre 1° de janeiro de 2013 a 5 de abril de 2022. De acordo com o diagnóstico da CNM, foram 35.596 eventos reconhecidos (66,7%), 15.070 com registro (28,2%) e 2.700 não reconhecidos (5,1%). Os desastres estão categorizados de acordo com a Classificação Brasileira de Desastres (Cobrade).

Os impactos dos desastres naturais vão da interrupção dos serviços essenciais, como o abastecimento de água e energia, a prejuízos econômicos e financeiros às propriedades públicas e privadas, agricultura, indústria e comércio; além de provocar mortes, ferimentos, doenças e outros efeitos negativos ao bem-estar da população atingida.

Chuvas torrenciais

As chuvas registradas ao longo dos últimos anos também se destacam neste estudo. No Estado da Bahia, por exemplo, entre o final de 2021 e início deste ano, ao menos 26 pessoas perderam a vida, quase 100 mil ficaram desalojadas e mais de 715 mil pessoas foram afetadas. Quase no mesmo período, em Minas Gerais, as tempestades causaram 25 mortes, deixando mais de 990 mil pessoas afetadas.

Em fevereiro de 2022, as chuvas vitimaram 233 pessoas em Petrópolis, Município localizado na região serrana do Estado do Rio de Janeiro e, no início deste mês, o excesso de chuvas causou vários deslizamentos de terra em Angra dos Reis, deixando 11 vítimas fatais, sendo sete no município de Paraty e um em Mesquita, contabilizando um total de 20 mortos.

Governo federal

O estudo da CNM demonstra que em relação aos repasses federais para enfrentamento dos impactos, dos 36,5 bilhões prometidos pelo governo federal, apenas R$ 15,4 bilhões foram efetivamente pagos entre 2010 e 2022. Comparando os prejuízos de R$ 341,3 bilhões que os desastres causaram em todo país entre 2013 a 2022, o valor transferido corresponde apenas a 4,5% do total em prejuízos.

Leia também: Chuvas extremas em cidades mineiras foram causadas por mudanças climáticas

Para a CNM, sem apoio técnico e financeiro da União e dos Estados, torna-se muito mais difícil para os municípios manterem as ações em âmbito local. Nesse aspecto, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, aponta para os anúncios de recursos, em anos eleitorais, que não se concretizam. “Em ano eleitoral, como o de agora, essas regiões afetadas, costumeiramente, são visitadas com algum alarde por autoridades estaduais e federais. Anunciam volume de recursos, que depois, na prática, na execução orçamentária, é quase zero”. “É muita conversa, e isso é histórico, muita promessa e pouca execução orçamentária”, reclama.

Fonte: Agência CNM de Notícias