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COP-26 produz acordo imperfeito para o combate às mudanças climáticas

Publicado em 14/11/2021 às 08:31 edição Lenilde Pacheco


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Glasgow Sustentável: 90% do lixo é reaproveitado para gerar energia - Foto: UNFCCC

Os delegados da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) aprovaram neste sábado (13) um acordo considerado determinante para manter ativo o objetivo de limitar o aquecimento global em 1,5 grau até 2100, na comparação com níveis pré-industriais. Porém, o texto – considerado imperfeito por autoridades presentes – deveria ter sido mais incisivo.

Em um último dia tenso na reunião de cúpula, o presidente da COP26, Alok Sharma, anunciou que o “Pacto Climático de Glasgow” estava aprovado, depois que a Índia incluiu na última hora, de forma inesperada, uma mudança que torna distante o fim do uso dos combustíveis fosseis como fonte de energia.

O próprio Sharma precisou interromper o pronunciamento em duas vezes, ao não conter as lágrimas pela alteração apresentada. O britânico pediu desculpas por “como se desenvolveu o processo”.

“Percebo o vosso desapontamento, mas como notaram, é vital que protejamos este pacote” de decisões, declarou, classificando o acordo como “imperfeito”, mas com “consenso e apoio”.

A emenda indiana foi aprovada pelos demais países de forma muito reticente, para evitar que as negociações realizadas fossem invalidadas e a COP26 terminasse com um fracasso de dimensões históricas.

A Índia, terceira maior emissora de gases-estufa do planeta, conseguiu que a alusão a “eliminação gradual” do uso do carvão e dos subsídios aos combustíveis fósseis” fosse alterada para “redução gradual”. Mesmo o texto tem a grande novidade de apontar, pela primeira vez no contexto da Convenção do Clima da ONU, para a necessidade de combater o uso dos combustíveis fósseis.

A China, maior emissora da atualidade de gases do efeito estufa responsáveis pelo aquecimento global fabricado pelo homem; e Arábia Saudita, principal exportadora de óleo do mundo, também fizeram esforços para evitar que o acordo final incluísse linguagem contra subsídios para combustíveis fósseis.

Cidade Sustentável

O fato de a COP26 ter sido sediada na cidade escocesa de Glasgow pode ser um incentivo à preservação ambiental. Com a meta de ser neutra em carbono até 2030, a cidade é considerada uma das mais sustentáveis do mundo. É a segunda na Europa com a maior proporção de área de vegetação por habitante, 32%, e prevê plantar 18 milhões de árvores, ou 10 por habitante, até o fim da década. A cidade incentiva o uso de bicicletas e reaproveita 90% do lixo para gerar energia.

A primeira COP foi realizada em Berlim, na Alemanha, em 1995, um ano depois de firmado o tratado sobre as mudanças climáticas. Desde então, a conferência é realizada todos os anos, mas, em 2020, devido à pandemia da Covid-19, foi adiada.

Em 2014, em Lima, no Peru, todos os países signatários concordaram em se comprometer com ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. E, no ano seguinte, na COP21, foi assinado o acordo de Paris, país anfitrião da cúpula. Neste acordo, os 195 líderes globais participantes assumiram compromissos específicos para que o aumento de temperatura mundial não ultrapasse dois graus centígrados quando comparado aos níveis pré-industriais.

O acordo de Paris estimula a adoção de fontes renováveis de energia, como eólica e solar, entre outras, e determina que os países signatários devem rever o progresso alcançado a cada cinco anos.

O aumento da temperatura provocado principalmente pela queima de combustíveis fósseis faz com que as geleiras derretam e o nível dos oceanos aumente, provocando eventos climáticos cada vez mais extremos em todo o mundo, como ondas de calor ou frio intenso, inundações e incêndios florestais. A última década foi a mais quente já registrada.

O aquecimento da Terra ocorre porque a atmosfera captura o calor irradiado: o acúmulo de gases, especialmente o dióxido de carbono (CO2), impede que ele se dissipe. A atividade humana, ao queimar combustíveis fósseis, como carvão e petróleo, fez com que a concentração de CO2 aumentasse 50%, elevando a temperatura em cerca de 1,2 ºC desde o século 19.

Na COP25, em Madrid, na Espanha, foi feito um acordo e cada país concordou em elaborar um plano para cortar suas emissões até a conferência em Glasgow.