Ramboll alerta para urgência de ações para mitigar riscos climáticos nos portos
Publicado em 04/11/2023 às 09:04 edição Lenilde Pacheco
Alerta: mudanças climáticas exigem adequações para atender ao volume de cargas - Foto: Tadeu Miranda/Gov Federal
Portos e rodovias brasileiros sofrem fortes impactos das mudanças climáticas, eventos que tendem a se agravar, exigindo um planejamento de ações capaz de mitigar os efeitos dos fenômenos extremos sobre os modais logísticos. Quem alerta é a Ramboll, consultoria multinacional especializada em engenharia e projetos multidisciplinares.
Os exemplos dos prejuízos causados à logística pelos fenômenos extremos são inúmeros, e incluem os efeitos da seca sobre a movimentação de navios no Rio Negro para levar produtos ao Porto de Manaus, as paralisações causadas temporariamente em pelo menos oito portos do Sul do País devido à ação do ciclone extratropical – incluindo os portos de São Francisco do Sul (SC), Itajaí (SC), Imbituba (SC), Rio Grande (RS), Porto Alegre (RS) e Pelotas (RS) -, além da interdição de rodovias em diversos estados em função de chuvas e deslizamentos.
“A estrutura de transportes brasileira, em particular a portuária e rodoviária, tem como desafios lidar com os riscos climáticos ao mesmo tempo que ocorre um aumento no volume de movimentações previsto por setores como o agronegócio e a geração de energia eólica offshore,”, destaca Alejandra Devecchi, Gerente de Planejamento Urbano da Ramboll no Brasil.
Ela observa que nos sete primeiros meses deste ano, só o Porto de Santos escoou 96,279 milhões de toneladas de cargas, e, deste volume, 52,8 milhões de toneladas foram de sólidos a granel, um aumento de 7% em relação ao mesmo período de 2022. E a previsão é a de que essa movimentação cresça ainda mais. Além do escoamento da safra, outro desafio nos portos da região Norte e Nordeste é a internalização das pás dos aerogeradores para produção de energia eólica, o que, por sua dimensão, requer terminais adaptados e uma malha viária que possibilite o transporte por via terrestre.
“São desafios que demandam a aplicação de metodologias para avaliar os riscos climáticos e orientar o planejamento portuário e rodoviário”, ressalta Alejandra.
A Ramboll inclusive vem trabalhando no desenvolvimento de uma nova metodologia que leva em conta o impacto dos fatores de risco climático nos diversos corredores logísticos brasileiros e analisa questões estruturais como o aumento da demanda e a capacidade da infraestrutura existente. Em parceria com especialistas em gestão portuária, este grupo de trabalho formulou um método para a Logística Portuária, que leva em conta a capacidade de cada região e as ações necessárias para adaptação diante das mudanças climáticas.
A visão integrada da Ramboll procura responder a questões que preocupam os operadores portuários, desde a existência de cargas que ainda não foram capturadas – o que representa uma receita não realizada –até, e principalmente, como eles devem elaborar seus planos mestres de expansão, de modo a prever e minimizar os impactos climáticos. “A análise dos investimentos torna-se ainda mais complexa considerando que a simples previsão de demanda futura já não é suficiente para definir os planos de expansão”, afirma Alejandra.
Por isso, a nova metodologia reavalia essas análises, com um olhar mais estratégico do ponto de vista ambiental, de capacidade, de demanda e gargalos, e traz uma forma de análise de priorização de investimentos totalmente alinhada às melhores práticas internacionais, explica José Di Bella, especialista em gestão portuária e ex gestor do Porto de Santos. “As ferramentas utilizadas pela consultoria permitem identificar as vulnerabilidades de cada porto, quais são seus acessos e como eles respondem sob a perspectiva do risco climático, e quais são as alternativas para exportação.”
Entre os projetos na área portuária realizados pela Ramboll ou nos quais a consultoria está atuando, incluem-se o desenvolvimento de um novo porto na região Norte do Pais no Amapá, além da adaptação de um terminal portuário em Santana, também no Amapá;, a realização de estudos para uma grande operadora logística, projeto de identificação de site para a construção de um novo terminal portuário para celulose, além do trabalho de consultoria para a ONU e Agência Infra, do Ministério da Infraestrutura, visando a proposição da metodologia para portos e rodovias considerando os impactos climáticos.
Sobre a Ramboll
A Ramboll é uma empresa global de arquitetura, engenharia e consultoria, presente em 33 países e que oferece expertise e soluções sustentáveis para governos, empresas e parceiros em todo o mundo.. Conta com mais de 17.500 especialistas, incluindo engenheiros, projetistas e consultores que fornecem soluções sustentáveis, multidisciplinares e de longo prazo em Transportes, Energia, Meio Ambiente, Saúde, Água, Edifícios, Consultoria de Gestão e Arquitetura e Urbanismo. A Ramboll é membro do Pacto Global da ONU e seu negócio contribui significativamente para o progresso dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Suas metas climáticas são aprovadas pela iniciativa Science Based Targets, alinhadas com o Acordo de Paris. Com mais de 100 especialistas dedicados aos diversos segmentos de atuação da empresa, a Ramboll atua nos mercados de Meio Ambiente, Saúde e Segurança, Água, Energia e Planejamento Urbano.