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Agenda Verde: Ecoinovação está presente em 47% das indústrias brasileiras

Publicado em 29/09/2023 às 09:07 edição Lenilde Pacheco


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A velocidade de adoção da ecoinovação poderia ser maior - Imagem: Agência CNI

Pesquisa inédita divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 47% das indústrias brasileiras têm projetos ou plano de ação formal em ecoinovação. De acordo com a Sondagem Especial: Ecoinovação e Transformação Digital, 30% das empresas têm trabalhos em execução e outras 17% estão com projetos aprovados para serem iniciados. Os dados revelam também que 28% das empresas estão realizando estudos iniciais sobre o tema e 19% não realizam nenhuma ação de ecoinovação no momento.

A pesquisa mostra que, entre as indústrias que integram a Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) – grupo coordenado pela CNI formado por mais de 500 empresas –, a ecoinovação já é uma realidade. De acordo com os dados, 78% das empresas que fazem parte da MEI têm planos de ação ou projetos de ecoinovação em andamento; outras 7% têm projetos aprovados, mas não iniciados; 9% estão em fase de estudos; e 5% não realizam nenhuma ação nesta área.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, afirma que, apesar de um quadro positivo, a velocidade de adoção da ecoinovação poderia ser maior no país. “Há sinais de que o processo está se ampliando. O desafio agora é apoiar pequenas empresas a embarcar nessa jornada, uma tendência que inevitavelmente deverá fazer parte dos planos estratégicos da indústria brasileira”, destaca.

“No Brasil, grandes indústrias, especialmente um subgrupo engajado nas atividades da Mobilização Empresarial pela Inovação, têm liderado os investimentos e resultados em ecoinovação. Empresas de médio porte também têm se destacado, começando a investir em inovação verde”, acrescenta Robson Andrade.

Ecoinovação rumo à descarbonização

A pesquisa da CNI será apresentada no 10º Congresso Internacional de Inovação da Indústria, que aconteceu nos dias 27 e 28 deste mês, no São Paulo Expo. Realizado pela CNI em parceria com o Sebrae, este é o maior evento de inovação da América Latina. Esta edição terá como tema ecoinovação e reunirá especialistas brasileiros e internacionais para debater o assunto e propor diretrizes de uma estratégia nacional de ecoinovação para a indústria brasileira.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) define a ecoinovação como a inovação que resulta na redução do impacto ambiental. Essa é uma tendência mundial que está promovendo mudanças nos modelos de negócios das empresas e que se tornou fundamental para a construção de novos parâmetros de sustentabilidade e competitividade para o setor industrial, no Brasil e no mundo.

As ecoinovações podem ser tanto tecnológicas, por meio de novos produtos ou processos produtivos, quanto inovações não-tecnológicas, com métodos de marketing, inovações organizacionais ou institucionais. Para a CNI, esta é uma tendência sem volta e essencial para a sobrevivência e competitividade das empresas em todo o mundo, à medida em que avançam as políticas de redução das emissões de gases de efeito estufa, do consumo de água e da geração de resíduos.

Qualificação de trabalhadores 

A pesquisa revela que o maior desafio para a estruturação da ecoinovação na indústria é a falta de trabalhadores qualificados para atuar com o tema. As restrições orçamentárias (33%) são a principal barreira para a qualificação de profissionais para trabalhar com ecoinovação. Na sequência, aparecem a necessidade de investir em outras áreas estratégicas (29%), estrutura/cultura da empresa (18%), limitação de tempo disponível para treinamento (20%) e baixo engajamento dos funcionários (12%).

O estudo revela ainda que, para 66% dos entrevistados, falta conhecimento aos trabalhadores em técnicas sustentáveis e, para 45%, falta conhecimento de legislação ambiental. Já 38% consideram que falta ao profissional competência para gerir e desenvolver projetos de ecoinovação.

Os principais desafios enfrentados pelas empresas no recrutamento de profissionais para ecoinovação são encontrar profissionais experientes em sustentabilidade (36%) e profissionais atualizados em tecnologias ambientais (36%).

Perguntados sobre qual estratégia a empresa tem adotado para suprir lacunas e promover a ecoinovação, 76% dos entrevistados afirmaram que têm apostado em treinamento de funcionários; 31%, na participação em redes colaborativas; e 24% na terceirização de projetos, funções e iniciativas de tecnologia da informação e comunicação (TIC).