Lideranças do agro pedem ações federais para fortalecer a cadeia produtiva do cacau
Publicado em 01/05/2023 às 09:12 edição Lenilde Pacheco
Uma das reivindicações do setor: ampliação da assistência técnica - Foto: Instituto Cabruca/Divulgação
Representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reuniram-se com os ministros Carlos Fávaro (Agricultura) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar) e a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau e Sistemas Agroflorestais do Mapa para discutir propostas de fortalecimento do setor.
Ao ministro da Agricultura, uma das solicitações foi o fortalecimento do Plano de Contingência da Monilíase, a partir da realização de cursos de classificadores do cacau nos estados do Norte.
“A classificação das amêndoas ainda no local de origem reduz sobremaneira os riscos de disseminação da doença”, destaca a analista técnica da CNA, Letícia Fonseca, presente nos encontros.
Para o titular do MDA, os representantes discutiram uma proposta de convênio entre instituições financeiras e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para a ampliação do acesso ao crédito rural para produtores da Região Norte.
Biodiversidade
Durante os encontros, os representantes do setor destacaram o potencial da cacauicultura como agente de conservação da biodiversidade, bem como geração de renda e desenvolvimento socioeconômico das regiões produtoras.
Os representantes também relataram desafios, como o fortalecimento de ações de defesa agropecuária no setor; a destinação de verba específica para a priorização e a ampliação do suporte fitossanitário para a cultura, em especial para combater a vassoura de bruxa e a monilíase; e ampliação da assistência técnica.
As audiências foram solicitadas por representantes da cadeia produtiva do cacau e contaram com a participação de representações dos produtores, indústrias moageiras, indústria de derivação e instituições de pesquisa. O vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Guilherme Moura, também participou do encontro, realizado no último dia 25, assim como o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau e Sistemas Agroflorestais e representante da CNA, Milton Andrade, e a assessora técnica da CNA, Letícia Fonseca.
Cacau fino
Em 2019, o Brasil foi reconhecido como produtor de cacau fino de aroma para exportação, pela Organização Internacional do Cacau. Essa amêndoa representa 3% da produção brasileira, conforme dados da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac). A meta é chegar a 10%.
O controle de qualidade é rígido. Em Ilhéus (BA), é feito pelo Centro de Inovação de Cacau (CIC), onde fica o Chocolab, laboratório que emite laudos para atestar se as amêndoas daquela safra estão no padrão da IG Sul da Bahia. No local, são feitos testes com a matéria-prima e também sensoriais de sabor, aroma e textura do chocolate. A norma da IG prevê percentual de 3% de defeitos nas amostras, uma norma mais rígida que as internacionais.
Sul da Bahia
Berço do cacau em terras baianas, a região sul da Bahia se reinventou para implantar a nova cacauicultura, que vem se consolidando com pesquisas, variedades especiais, diferentes modelos de produção e assistência técnica, bem como modernos sistemas de gestão das propriedades. Dos 423.256 hectares plantados com cacau na Bahia em 2021, 86% estavam nesta região.
Em 2021 a produção estadual foi de 137.622 toneladas (ton), com valor de produção de R$R$1.820.110, enquanto que a região sul somou 114.792 ton., com valor de produção de R$1.509.259. Os dados são da Supervisão de Disseminação de Informações do IBGE na Bahia(SDI-BA), que destaca ainda Ilhéus como o município que concentra a maior produção do estado com 8.674 toneladas de amêndoas, em 2021.
A Bahia possui um modelo de produção de cacau único e exclusivo que é o cacau cabruca, sistema de cultivo que utiliza o sombreamento das árvores nativas da Mata Atlântica. Um cacau que preserva o meio ambiente, uma atividade produtora que convive com a Mata Atlântica sem agredi-la.
Fontes: FAEB e Agência Brasil