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Destinação inadequada de resíduos supera 30 milhões de toneladas/ano

Publicado em 03/11/2022 às 07:25 edição Lenilde Pacheco


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Descarte irregular de resíduos entope bueiros e agrava as enchentes - Foto: Defesa Civil/SP

A destinação inadequada de resíduos urbanos para aterros e lixões a céu aberto ainda corresponde a quase 40% do total coletado, ou seja, 30,3 milhões de toneladas ao ano, volume que daria para encher 765 estádios do Maracanã.

O dado é do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2021, levantamento de referência publicado há 17 anos pela Associação Brasileiras das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

O documento mostra que dos 82,5 milhões toneladas/ano de resíduos sólidos urbanos gerados em 2020, somente 46 milhões de toneladas tiveram a destinação final ambientalmente adequada para aterros sanitários. “O Panorama aponta que há uma tendência de evolução para um problema ainda presente no País, que é a destinação inadequada de resíduos para aterros controlados e lixões a céu aberto, responsáveis afetar a saúde de 77,5 milhões de pessoas”, diz Carlos Silva Filho, diretor presidente da Abrelpe.

Ritmo lento

O porta-voz da entidade observa, no entanto, que o ritmo verificado ainda está muito lento e dessa forma provavelmente o país não vai conseguir cumprir o prazo de extinguir os lixões até 2024, conforme determina o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares). “Os índices verificados nas regiões Sudeste e Sul, ambas com mais de 70% dos resíduos sendo encaminhados para destinação adequada, demonstram que é possível avançar de maneira consistente para o encerramento das práticas de destinação inadequadas. Mas chama atenção que mais da metade das cidades brasileiras ainda dispõem os resíduos coletados em locais inadequados”.

O estudo inédito “Futuro do Setor de Gestão de Resíduos”, elaborado pela International Solid Waste Association (ISWA), e que faz uma análise sobre as tendências, oportunidades e desafios do setor, aponta que a gestão inadequada de resíduos representa uma ameaça direta ao meio ambiente, à biodiversidade e à saúde humana, tanto em nível local quanto global, afetando bilhões de pessoas.

“Em um futuro próximo, veremos um aumento drástico na geração de resíduos sólidos urbanos em todo o mundo, portanto, é urgente o estabelecimento de uma hierarquia da gestão dos materiais produzidos para viabilizar sistemas de destinação adequados, assim como um aumento das capacidades de coleta e tratamento combinadas com aplicações úteis para a recuperação de materiais”, avalia Silva Filho, um dos autores da publicação e presidente da ISWA.

Enchentes e alagamentos

Descarte irregular de lixo contribui para entupir bueiros e agravar as enchentes em centros urbanos. Em muitos casos, as inundações poderiam ser amenizadas se bocas de lobo não estivessem obstruídas por lixo. Os agentes de limpeza retiram de tudo um pouco nos bueiros da capital baiana. De garrafa pet a embalagem de salgadinho.

Fonte: Abrelpe