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Proximidade com o meio ambiente é indispensável para a saúde física e mental

Publicado em 03/05/2022 às 08:43 edição Lenilde Pacheco


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Saldiva: ligação intrínseca entre saúde e meio ambiente - Foto: Acervo Fundação Florestal

O médico e professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, destaca os benefícios físicos e mentais advindos do contato com a natureza. A sensação de bem-estar propiciada por esses momentos manifesta-se, segundo ele, na alteração dos hormônios que controlam processos inflamatórios, na melhora do sistema imunológico, fortalecendo a proteção contra micro-organismos, e do funcionamento do cérebro.

Um grupo de pesquisadores britânicos publicou recentemente, numa revista especializada, um artigo no qual faz um resumo sobre os benefícios do contato com a natureza para a saúde mental do ser humano. “A preservação dos nossos ecossistemas está dentro de um conceito chamado de saúde única, ou saúde planetária, em que é tornado evidente que temos uma ligação intrínseca, atávica e, inclusive, de saúde com o meio ambiente natural”, argumenta Saldiva.

Para viver melhor, conclui ele, é importante que tenhamos uma natureza preservada, “seja ela natural ou recomposta por nossos ambientes urbanos”.

Sobre os impactos

O impacto positivo proporcionado para a saúde humana pela proximidade com a natureza também tem sido acompanhado de pelas pesquisadoras Luana da Silva Chagas, do Núcleo de Pesquisa, Ensino, Divulgação e Extensão em Neurociências da Universidade Federal Fluminense, e Priscila Stéfani Monteiro-Alves, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução, da Universidade do Rio de Janeiro.

Em artigo, elas explicam que “a exposição a áreas verdes, ao ar limpo, a ambientes abertos, ao sol e a temperaturas menos abafadas contribui para a percepção dos mais variados estímulos sensoriais, como visual, auditivo e olfativo. Essa capacidade de receber informações sobre diferentes partes do corpo modula positivamente muitos aspectos fisiológicos, psicológicos e comportamentais que permeiam a atividade do sistema nervoso”.

O contato com a natureza assume um papel fundamental sobre o desenvolvimento cognitivo. Essa relação já foi apontada em estudo que demonstrou, ao longo de 12 meses, que a exposição de alunos do ensino básico a espaços verdes promoveu melhora da capacidade de memória e redução da desatenção, assinalam as pesquisadoras.

Além disso, o acesso restrito à interação com a natureza em idades pré-escolares, fase em que o cérebro ainda está em formação, pode resultar em aumento irrestrito da exposição a telas. Esse tipo de exposição, segundo estudo recente, reduz o desenvolvimento da substância branca cerebral dessas crianças, que é importante para habilidades cognitivas como a linguagem e a alfabetização.

Fontes: Jornal da USP e Ciência Hoje