Congresso da indústria têxtil discute fibras, inovação e sustentabilidade
Publicado em 16/10/2026 às 08:07 edição Lenilde Pacheco
Renner destacou o uso de matérias-primas certificadas e o incentivo à produção de algodão agroecológico - Foto: Carlos Pereira/Divulgação
O Congresso Internacional Brasil 2026, realizado quarta e quinta-feiras (14 e 15), no Centro de Convenções de Fortaleza (CE), reuniu lideranças empresariais, autoridades e representantes de entidades nacionais e internacionais para discutir competitividade, inovação e sustentabilidade na indústria têxtil e de confecção. Com o tema “Futuro em Movimento: Transformação, Inovação e Novas Realidades”, o encontro foi realizado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), em parceria com a International Textile Manufacturers Federation (ITMF) e a International Apparel Federation (IAF).
Entre as iniciativas empresariais apresentadas no evento, a Lojas Renner destacou o uso de matérias-primas certificadas e o incentivo à produção de algodão agroecológico. Segundo Eduardo Ferlauto, diretor de sustentabilidade da companhia, mais de 95,3% do algodão utilizado pela empresa possui certificação. O Programa de Algodão Agroecológico, iniciado em 2017 pelo Instituto Lojas Renner, já beneficiou cerca de 398 famílias produtoras, com renda média mensal de R$ 6 mil por família. Os números dão dimensão a uma frente de atuação que relaciona escolhas de matéria-prima, produção agrícola e geração de renda.
O futuro das fibras foi tema do Painel 2 do congresso, que reuniu especialistas para analisar os atributos dos materiais e as oportunidades para o Brasil no mercado global. Mediado por Uday Gill, consultor da GherziAmericas, o debate contou com Andreas W. Engelhardt, da The Fiber Year GmbH; Eduardo Ferlauto, da Lojas Renner; Haroldo Cunha, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa); Fernando Prudente, da Bayer; e Carlos Fernandes, da Associação Brasileira dos Fabricantes de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas).
Segundo Gill, a produção mundial de fibras alcançou 132 milhões de toneladas em 2024, com perspectiva de crescimento até 2030. Ao abordar a convivência entre materiais naturais e químicos, ele ressaltou que as alternativas não são excludentes, apontando para a complementaridade entre diferentes tipos de fibras.
Para Engelhardt, o Brasil reúne condições para ampliar sua participação no setor. Ele destacou a posição do país como maior exportador mundial de algodão e defendeu a identificação de oportunidades para instalar novas unidades produtivas, diante das transformações esperadas nos mercados de poliéster, viscose e algodão.
Carlos Fernandes projeta que a produção global de fibras alcance 169 milhões de toneladas em 2030, das quais 69% serão sintéticas, 25% naturais e 6% artificiais. Na avaliação do dirigente, a competitividade dependerá da capacidade de combinar atributos dos materiais em escala industrial e a custos acessíveis.
A qualidade do algodão brasileiro também esteve em pauta. Fernando Prudente apresentou indicadores referentes à safra 2025/26: resistência de 95,9%, uniformidade de 91,6% e índice de comprimento de 94,8%. Já Haroldo Cunha defendeu investimentos em inovação, comunicação e políticas públicas para ampliar a participação das fibras naturais. Segundo ele, novas tecnologias e misturas de fibras — os chamados blends — podem combinar conforto e bem-estar com maior resistência ao amassamento e ao desbotamento.
As discussões evidenciam um desafio para a indústria: ampliar a competitividade e atender à demanda por materiais de qualidade sem deixar de considerar os impactos ambientais associados à produção. Nesse contexto, a escolha das fibras, a rastreabilidade das matérias-primas e as práticas adotadas ao longo da cadeia produtiva são aspectos relevantes para avaliar os avanços da sustentabilidade no setor.