BASF aposta na andiroba para impulsionar a bioeconomia
Publicado em 15/10/2026 às 15:04 edição Lenilde Pacheco
Equipe que atua no desenvolvimento do uso sustentável de produtos florestais não madeireiros da Amazônia
A transformação de um recurso da biodiversidade amazônica em um ingrediente de maior valor agregado para a indústria cosmética é a aposta da BASF com o lançamento do Cetiol Forest CG, emoliente derivado do óleo de andiroba. A inovação combina o aproveitamento de uma matéria-prima florestal com uma rota tecnológica que utiliza etanol renovável em substituição ao metanol convencional no processo de desenvolvimento do ingrediente.
O produto é o primeiro lançamento do Standing Forest, iniciativa da companhia voltada ao desenvolvimento de soluções para o mercado de cuidados pessoais a partir do uso sustentável de produtos florestais não madeireiros da Amazônia. A proposta associa inovação industrial, valorização da biodiversidade e geração de oportunidades econômicas para comunidades que dependem dos recursos da floresta.
Tecnologia
Desenvolvido no laboratório de Cuidados Pessoais da BASF em Jacareí (SP), o Cetiol Forest CG resulta de um processo que transforma o óleo de andiroba, inclusive frações com elevada acidez que dificultam sua adequação aos padrões da indústria, em um éster destinado a formulações cosméticas.
Segundo a empresa, o processamento melhora características sensoriais e funcionais do ingrediente, como espalhabilidade, estabilidade, odor, absorção e textura, ampliando suas possibilidades de aplicação em produtos para a pele e os cabelos.
Testes conduzidos pela BASF também indicaram resultados relacionados à hidratação, ao condicionamento capilar e à redução de marcadores inflamatórios em modelos de pele humana. A companhia relata ainda efeitos favoráveis à regeneração tecidual. Esses resultados, apresentados pela fabricante, devem ser considerados no contexto dos testes realizados e não equivalem, por si só, à comprovação de benefícios clínicos em consumidores.
A utilização de etanol renovável na rota de produção é outro diferencial destacado pela empresa. A tecnologia busca conciliar desempenho e aproveitamento de recursos renováveis, embora a avaliação de seus benefícios ambientais dependa também de informações sobre a origem das matérias-primas e os impactos do processo produtivo.
Bioeconomia
O Standing Forest está estruturado em três frentes: conservação da floresta amazônica, uso sustentável de matérias-primas da biodiversidade e apoio ao desenvolvimento das comunidades locais. O programa prevê beneficiar mais de 200 famílias, com impacto estimado em cerca de 1.200 pessoas distribuídas por 25 comunidades do Médio Juruá, no Amazonas, envolvidas na coleta de sementes e na extração do óleo de andiroba.
A iniciativa prevê mecanismos de rastreabilidade, monitoramento ambiental e comércio ético e justo, além de parcerias com organizações e instituições que atuam na região. A proposta é fortalecer uma cadeia produtiva capaz de gerar renda a partir da biodiversidade, criando oportunidades econômicas associadas à conservação florestal.
O alcance desse modelo dependerá, entre outros fatores, da continuidade da demanda pela matéria-prima, da distribuição dos benefícios econômicos entre os participantes da cadeia e da manutenção de práticas de coleta compatíveis com a conservação dos recursos naturais.
Para Fábio Cahen, diretor de Cuidados Pessoais da BASF para a América do Sul, o lançamento reúne inovação, desempenho e origem responsável. A companhia considera que o desenvolvimento de ingredientes de maior valor agregado pode ampliar as oportunidades de mercado para matérias-primas da biodiversidade amazônica e contribuir para o fortalecimento das cadeias produtivas locais.
Rastreabilidade
O lançamento ocorre em um mercado no qual a origem dos ingredientes, a rastreabilidade e os atributos ambientais ganham espaço nas decisões da indústria cosmética e dos consumidores. Nesse cenário, o uso de matérias-primas renováveis pode representar uma oportunidade para a bioeconomia, desde que os benefícios ambientais e sociais sejam sustentados por práticas verificáveis ao longo da cadeia produtiva.
Ao desenvolver um ingrediente cosmético a partir do óleo de andiroba, a BASF explora uma possibilidade de conexão entre conhecimento tradicional, pesquisa científica e mercado. A relevância socioambiental da iniciativa, contudo, não se limita à inovação do produto: envolve também a capacidade de gerar benefícios duradouros para as comunidades fornecedoras e contribuir efetivamente para a conservação da floresta.