Nova regra transforma saúde mental em prática de gestão nas empresas
Publicado em 02/10/2026 às 14:09 edição Lenilde Pacheco
Na Braskem, a adequação às novas diretrizes começou antes das mudanças na legislação - Foto: Ricardo Fontes/Divulgação
A prorrogação por 90 dias da suspensão de multas da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), dá fôlego extra para as empresas brasileiras estruturarem suas políticas de saúde mental. O prazo, que venceria em 23 de setembro, foi estendido para buscar conciliação entre o governo e entidades empresariais. Contudo, o adiamento expõe um desafio central do pilar Social (S) do ESG: o despreparo do mercado em lidar com os riscos psicossociais no trabalho.
Levantamento da consultoria Heach, realizado no início de 2026, mostra que 68% das companhias no país ainda não compreendem plenamente as novas exigências da NR-1. Além disso, 58% admitem agir apenas de forma reativa, diante de crises. O cenário evidencia a urgência de implementar mecanismos preventivos e contínuos de acompanhamento.
Prevenção integrada à cultura corporativa
Na Braskem, a adequação às novas diretrizes começou antes mesmo das mudanças na legislação. Em 2022, a petroquímica iniciou a construção do seu Programa Global de Saúde Integral e Bem-Estar. Hoje, a iniciativa engloba fluxos de avaliação de transtornos mentais, canais de escuta e monitoramento contínuo da rotina laboral.
Para mapear os fatores de risco, a companhia adotou ferramentas como o protocolo do Health and Safety Executive (HSE) do Reino Unido e aplicou conceitos de higiene ocupacional para mensurar a probabilidade e a severidade dos impactos psicossociais. O ecossistema inclui ainda o “Check-in” diário das equipes e o “Termômetro do Bem-Estar”, que avalia as relações entre colaboradores, lideranças e a organização.
Capacitação e liderança como fatores humanitários
A consolidação do pilar Social exige a transformação dos processos internos. Ao longo de 2025, a Braskem promoveu capacitações focadas na NR-1 e na saúde mental no trabalho para preparar gestores e equipes para a detecção precoce de sinais de sobrecarga.
“Mais do que responder a uma exigência regulatória, esse momento exige que as organizações desenvolvam capacidades para incorporar o tema à sua gestão”, destaca o Dr. Eduardo Ferreira Arantes, médico do trabalho e gerente de Saúde da Braskem. “Isso envolve ajustes de prazos, redistribuição de demandas e a preparação das lideranças para agir rapidamente diante dos riscos.”
O acompanhamento do tema conta com o envolvimento direto da alta liderança por meio dos Comitês de Saúde Integral, que reúnem gestores e trabalhadores na formulação de ambientes corporativos mais saudáveis.
“A saúde mental deixa de ser discutida apenas quando alguém adoece e passa a ser considerada parte das condições necessárias para que as pessoas possam trabalhar, se desenvolver e permanecer saudáveis”, resume Ana Luiza Salustino, gerente de Pessoas e Organização da Braskem no Nordeste.
Sobre a Braskem
Com atuação global e operações no Brasil, Estados Unidos, México e Alemanha, a Braskem desenvolve soluções da química e do plástico para diversos setores da economia. A companhia busca impulsionar a economia circular e o uso de matérias-primas renováveis, alinhando inovação, responsabilidade socioambiental e ética no relacionamento com as comunidades onde atua.