Manejo sustentável: Atvos amplia uso de bioinsumos no cultivo da cana-de-açúcar
Publicado em 02/10/2026 às 10:29 edição Lenilde Pacheco
Manejo biológico também controla pragas relevantes dos canaviais, como a cigarrinha-da-raiz - Foto: Dvg
O uso de soluções biológicas vem ganhando espaço no cultivo de cana-de-açúcar como alternativa para tornar o manejo agrícola mais eficiente e sustentável. Na Atvos, os bioinsumos já são utilizados em 100% das áreas de plantio e corte de soqueira, integrando estratégias de controle de pragas, proteção dos cultivos e agricultura regenerativa.
A adoção dessas tecnologias faz parte de um conjunto de iniciativas de inovação e manejo agrícola implementadas pela companhia nas últimas safras. No período, a produtividade média avançou 42%, de 52 toneladas por hectare, em 2021, para mais de 70 toneladas.
O manejo biológico também foi ampliado para o controle de pragas relevantes dos canaviais, entre elas a cigarrinha-da-raiz (Mahanarva fimbriolata), o bicudo-da-cana (Sphenophorus levis) e a broca-da-cana (Diatraea saccharalis). As soluções foram testadas e validadas em escala comercial nas oito unidades agroindustriais da Atvos.
Além de ampliar as alternativas ao controle químico, os bioinsumos podem contribuir para o equilíbrio dos sistemas agrícolas. Entre os benefícios estão o estímulo à atividade microbiana e à diversidade funcional do solo, a ciclagem de nutrientes, o desenvolvimento das raízes e o manejo mais equilibrado de pragas e doenças.
Na prática, a estratégia combina diferentes soluções ao longo do ciclo da cultura. Entre elas estão produtos à base de Bacillus amyloliquefaciens e Trichoderma harzianum para o manejo de nematoides e patógenos de solo; Azospirillum brasilense para promoção do crescimento e desenvolvimento radicular; e extratos de algas utilizados na bioestimulação.
O manejo de doenças inclui formulações à base de Bacillus pumilus, enquanto fungos entomopatogênicos, como Isaria fumosorosea e Metarhizium anisopliae, são empregados no controle de insetos-praga. A estratégia também utiliza Trichogramma galloi, ampliando as ferramentas do manejo integrado de pragas.
Dados do Instituto Biológico indicam a evolução do uso dessas tecnologias no país. Em 2015, menos de um terço dos canaviais brasileiros utilizava agentes não químicos para o controle de pragas relevantes. Na safra 2024/25, a cana-de-açúcar já representava cerca de 12% do consumo nacional de insumos biológicos agrícolas.
Para Wilson Lucena, vice-presidente de Operações da Atvos, a ampliação do manejo biológico combina inovação, eficiência e sustentabilidade. “Ao ampliar o manejo biológico em larga escala, avançamos em uma agricultura cada vez mais eficiente e resiliente”, afirma.
A Atvos produz etanol, açúcar VHP e bioeletricidade a partir da biomassa. Com oito unidades agroindustriais em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, a companhia tem capacidade para produzir cerca de 3,3 bilhões de litros de etanol por safra, além de 750 mil toneladas de açúcar VHP e 4,2 mil GWh de bioeletricidade.
Com forte presença no Centro-Oeste, a Atvos mantém operações em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de uma unidade em São Paulo.