Prêmio reconhece projetos que aproximam educação e sustentabilidade
Publicado em 21/09/2026 às 14:03 edição Lenilde Pacheco
Projeto integra educação ambiental, biodiversidade e gestão de resíduos - Foto: Divulgação
A educação ambiental ganha força quando transforma o conhecimento em prática e aproxima escolas, estudantes e comunidades dos desafios socioambientais de seus territórios. É essa abordagem que está no centro dos projetos vencedores da etapa nacional da 4ª edição do Prêmio Escolas Sustentáveis, iniciativa da Santillana, da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, Ciência e a Cultura (OEI) e da Fundação Santillana.
Os vencedores foram anunciados, na quinta-feira (dia 17), em cerimônia realizada em Salvador (BA), que reuniu representantes dos 10 projetos finalistas.
Na categoria Educação Infantil e Ensino Fundamental – Anos Iniciais, o primeiro lugar ficou com o projeto Infância, Sustentabilidade e Cidades Educadoras, desenvolvido pela Escola Casa da Infância, de Salvador. A iniciativa promove um intercâmbio educativo e sustentável entre quatro escolas do Brasil e da Colômbia, envolvendo estudantes, educadores, famílias e comunidades.
O projeto integra educação ambiental, biodiversidade, gestão de resíduos e consumo responsável a atividades práticas e intercâmbios entre diferentes realidades urbanas e rurais. Entre as ações estão auditoria e coleta de resíduos nos bairros do entorno da escola, compostagem, hortas escolares, reaproveitamento de materiais, mapeamento da biodiversidade e intercâmbios presenciais e virtuais.
A proposta também estimula a troca de cartas e conteúdos em português, espanhol e inglês, além de promover imersões na Caatinga, na Mata Atlântica e em comunidades tradicionais, seminários internacionais e compartilhamento de boas práticas. Segundo a escola, cerca de 2 mil pessoas foram alcançadas pela iniciativa, entre estudantes, educadores, organizações e comunidades.
Na categoria Ensino Fundamental – Anos Finais, Ensino Médio e EJA, o vencedor foi o projeto EcoLuz Trap – Tecnologia de Baixo Custo contra Vetores de Doenças na Amazônia, desenvolvido por estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA) – Campus Marabá Industrial, em Marabá (PA).
A iniciativa criou uma armadilha luminosa de baixo custo para reduzir a presença de mosquitos vetores de doenças sem o uso de inseticidas. A tecnologia utiliza materiais reaproveitados, como latas, fios e componentes eletrônicos, resultando em uma solução acessível, reutilizável e com potencial de replicação em escolas e comunidades.
Os próprios estudantes participaram de todas as etapas, desde o diagnóstico do problema e a construção dos protótipos até os testes com diferentes cores de LED e a identificação dos insetos capturados. O projeto também incluiu oficinas, produção de materiais educativos e ações de divulgação científica, aproximando ciência, tecnologia, sustentabilidade e realidade local.
Além de contribuir para o controle de mosquitos no ambiente escolar sem a aplicação de inseticidas, a proposta busca reduzir impactos sobre outros insetos, incluindo polinizadores. De acordo com os organizadores, o projeto alcançou cerca de 3.500 pessoas.
Educação ambiental
Os dois projetos vencedores mostram como a educação ambiental pode ganhar dimensão prática quando estudantes deixam de ser apenas receptores de conhecimento e passam a participar da identificação de problemas, da busca por soluções e da transformação de seus próprios territórios.
Essa abordagem amplia o alcance da educação para a sustentabilidade ao envolver famílias, comunidades, instituições e diferentes áreas do conhecimento. Também contribui para formar uma geração mais preparada para compreender a relação entre conservação ambiental, qualidade de vida, ciência, cidadania e desenvolvimento sustentável.
Os projetos vencedores foram escolhidos por um júri técnico formado por oito integrantes. Cada escola receberá US$ 3 mil e representará o Brasil na etapa internacional do prêmio, marcada para 2 de dezembro, na Cidade do México.
Para Luciano Monteiro, diretor executivo da Fundação Santillana no Brasil, a diversidade de experiências apresentadas demonstra a capacidade das escolas de desenvolver soluções que beneficiam tanto o meio ambiente quanto a sociedade.
“Vermos iniciativas inovadoras que beneficiam o meio e a sociedade, que integram alunos e professores ao mesmo tempo que promovem a educação por um mundo melhor, é a verdadeira premiação que todos nós recebemos”, afirma.
As iniciativas vencedoras e os demais projetos finalistas estão disponíveis no site do prêmio: Prêmio Escolas Sustentáveis
Santillana
Com mais de 60 anos de atuação e presença em 19 países, a Santillana é uma empresa do setor educacional com atuação na América Latina. A companhia desenvolve conteúdos e soluções educacionais e oferece serviços que incluem tecnologia, formação e assessoria para escolas, professores, famílias e estudantes. A empresa também declara compromisso com a Agenda 2030 e com a promoção de iniciativas voltadas à transformação da educação.
Fundação Santillana
Voltada à educação básica, a Fundação Santillana atua em iniciativas relacionadas à redução das desigualdades educacionais e ao desenvolvimento de uma educação mais inclusiva e sustentável. A instituição promove e apoia projetos, debates e pesquisas sobre políticas educacionais, ensino e aprendizagem, em parceria com instituições públicas e privadas, educadores, gestores e organizações da sociedade civil.
Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI)
Criada em 1949, a OEI é um organismo intergovernamental de cooperação entre países ibero-americanos nas áreas de educação, ciência e cultura. Atualmente reúne 23 Estados-membros e mantém 19 escritórios nacionais, além da Secretaria-Geral, em Madri. Em 2024, recebeu o Prêmio Princesa das Astúrias de Cooperação Internacional. A organização mantém centenas de projetos e acordos de cooperação na região, com atuação voltada ao desenvolvimento educacional, científico e cultural.