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Natura reforça estratégia de prevenção aos efeitos do Super El Niño

Publicado em 19/08/2026 às 09:04 edição Lenilde Pacheco


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Inteligência artificial é utilizada para identificar impactos associados a eventos climáticos - Foto: Natura/Divulgação

Diante do avanço das mudanças climáticas e da previsão de maior intensidade do fenômeno El Niño, a Natura está ampliando sua estratégia de resiliência para antecipar riscos e reduzir impactos sobre sua operação, sua cadeia de fornecimento e a rede de pessoas ligada ao negócio. A mudança representa uma evolução do modelo adotado pela companhia, que historicamente concentrou esforços na resposta a situações de emergência.

Desde 2020, o Protocolo de Calamidades da Natura foi acionado mais de 30 vezes em ocorrências como enchentes, secas extremas e queimadas. Agora, a empresa busca incorporar uma abordagem preventiva, apoiada por dados, inteligência artificial e planejamento de longo prazo.

Uma das ferramentas utilizadas nessa estratégia é o Radar de Riscos Socioclimáticos, desenvolvido em parceria com a startup MeteoIA. A plataforma utiliza inteligência artificial para identificar possíveis impactos associados a eventos climáticos e gerar informações para o mapeamento de riscos corporativos e de seus potenciais efeitos sobre as operações. A iniciativa amplia a capacidade de preparação da companhia e de sua rede de relacionamento.

Na cadeia de fornecimento ligada à sociobiodiversidade, a Natura utiliza a plataforma Natura-GIS, baseada em sistemas de informação geográfica. A ferramenta permite rastrear ativos da sociobiodiversidade e acompanhar safras, contribuindo para a segurança do abastecimento e para uma gestão mais eficiente dos riscos climáticos que podem afetar as comunidades fornecedoras.

Justiça climática

A estratégia também incorpora medidas voltadas à proteção das pessoas mais expostas aos efeitos de eventos extremos. A partir da escuta das necessidades das Consultoras de Beleza, a Natura incentiva o uso de seguros oferecidos pelo ecossistema Emana Pay.

Entre as soluções está o Estoque+Casa, que protege residências e estoques de produtos em situações como incêndios e enchentes. O Saúde Protegida oferece serviços de telemedicina e descontos em medicamentos, ampliando a rede de proteção às consultoras.

Para as comunidades fornecedoras, a companhia também trabalha com a perspectiva de prevenção. A estratégia prevê o mapeamento de doações financeiras antecipadas para a compra de mantimentos e água potável em regiões sujeitas a secas severas. O objetivo é reduzir a vulnerabilidade das famílias e assegurar condições mínimas de abastecimento em períodos críticos.

“A Natura tem um compromisso socioambiental histórico e a evolução de mitigação para antecipação de riscos climáticos reforça nossa crença de que um negócio só é resiliente se a sua rede de pessoas e o território onde ele opera também forem”, afirma Ana Costa, vice-presidente de Sustentabilidade, Jurídico e Reputação Corporativa da Natura.

Ação com parceiros

A colaboração com outras instituições é outro eixo da estratégia. Em abril, a Natura anunciou uma parceria com a Defesa Civil de São Paulo para estruturar Núcleos de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs) liderados por Consultoras. A proposta é capacitar essas mulheres para atuar como agentes voluntárias na prevenção e na resposta a emergências em seus bairros.

A companhia também mantém parceria com o Corpo de Bombeiros para a formação de brigadistas voluntários em comunidades agroextrativistas da região Norte. A iniciativa amplia a capacidade de resposta local e fortalece a preparação de comunidades que estão diretamente expostas a eventos climáticos extremos.

Para a Natura, entretanto, o uso de ferramentas preditivas não elimina as incertezas associadas à mudança do clima. “Embora a inteligência preditiva e as parcerias estratégicas fortaleçam nossa preparação, a natureza sem precedentes das mudanças climáticas impõe incertezas que ultrapassam a capacidade de previsão absoluta”, diz Ana Costa.

Nesse contexto, a empresa defende uma atuação coordenada entre setor privado, poder público e sociedade civil. “A escala deste desafio exige uma resposta coletiva”, afirma a executiva, ao defender modelos capazes de integrar regeneração social e climática e reduzir os impactos da transição sobre populações mais vulneráveis.