Obrigatoriedade de plástico reciclado chega às pequenas e médias empresas
Publicado em 08/07/2026 às 08:27 edição Lenilde Pacheco
Abiplast observa que o mercado de resinas plásticas ainda se reorganiza após choque de preços
A partir deste mês de julho, pequenas e médias indústrias brasileiras de embalagens plásticas passam a ser obrigadas a usar pelo menos 22% de plástico reciclado pós-consumo (PCR) em suas embalagens, conforme o Decreto Federal nº 12.688/2025. A exigência vale desde janeiro para grandes fabricantes e chega agora ao restante da cadeia produtiva, num momento em que o mercado de resinas plásticas ainda se reorganiza depois de meses de forte instabilidade de preços.
Em abril, a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) informou, em seu boletim EconoPlast, a alta acumulada de até 80% em PP, PE e PVC como o maior choque de preços da história recente do setor. O movimento foi atribuído à crise de fornecimento da Braskem, a sobretaxas antidumping sobre resinas importadas e à pressão cambial.
Consultorias citadas pela própria Braskem projetam melhora de cerca de 50% nos spreads petroquímicos no segundo trimestre em relação ao primeiro, mas a defasagem entre o custo da matéria-prima e os preços repassados ao transformador, que costuma levar semanas a meses, sugere que o pico da pressão sobre os convertedores pode ainda não ter sido sentido em toda a cadeia.
É nesse cenário que a obrigatoriedade de PCR passa a alcançar empresas com menor escala e menor poder de negociação com fornecedores, justamente o grupo que tem menos estrutura para qualificar, em poucas semanas, uma cadeia de reciclado que atenda a critérios técnicos de qualidade, estabilidade e rastreabilidade.
“Quem deixou para resolver isso de última hora vai sentir agora a dificuldade de achar fornecedor de reciclado com garantia técnica e jurídica. Não é uma decisão de compra, é uma decisão de engenharia: qual proporção de PCR a linha aguenta sem perder performance, e quem garante a origem desse material”, afirma Luiz Grilo, Diretor Institucional e Novos Negócios da Yattó.
A incorporação de PCR em escala industrial envolve variáveis específicas, qualidade e estabilidade do material reciclado, homologação de novos fornecedores e ajustes no processo produtivo, que se tornam mais sensíveis quando a adequação precisa ser feita sob pressão de prazo. O decreto também prevê exigências crescentes de rastreabilidade, incluindo acesso do poder público aos dados dos sistemas de logística reversa das empresas.
Sustentabilidade
A ampliação da obrigatoriedade do uso de plástico reciclado em embalagens para pequenas e médias empresas representa um avanço importante na agenda da economia circular e da sustentabilidade no Brasil. A medida amplia a participação do setor produtivo nos esforços para reduzir a geração de resíduos, estimular a reciclagem e diminuir a dependência de matéria-prima virgem, contribuindo para a preservação dos recursos naturais e para a redução dos impactos ambientais associados à produção de plásticos.