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Com Programa Sertão Vivo no Semiárido, BNDES conquista destaque da ONU

Publicado em 14/04/2026 às 09:04 edição Lenilde Pacheco


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Programa é realizado em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola - Foto: Estevam Costa/PR

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ganhou destaque em publicação internacional da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI) com o “Sertão Vivo”, reconhecido como referência global de financiamento para uma transição climática justa. O programa contempla estados do Nordeste — Bahia, Ceará, Paraíba, Sergipe e Piauí —, reúne investimentos da ordem de R$ 1 bilhão e deve beneficiar cerca de 250 mil famílias rurais no semiárido brasileiro. O Sertão Vivo é fruto de parceria do BNDES com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU (FIDA). Neste mês de abril, o programa será oficialmente lançado em Piauí e em Sergipe.

Sertão Vivo integra o relatório “Just Transition Finance: Case Studies from Banking and Insurance” (Financiamento para uma transição justa: Estudos de caso para bancos e seguradoras), lançado este mês, que reúne experiências de instituições financeiras de diferentes regiões do mundo na promoção de soluções climáticas com inclusão social. No documento, o BNDES é reconhecido por sua abordagem territorial e pela estruturação de soluções financeiras que fortalecem a resiliência climática, ampliam a renda e melhoram as condições de vida de populações em regiões vulneráveis.

“A transição climática precisa ser também uma transição social. O Sertão Vivo mostra que é possível enfrentar as mudanças do clima gerando renda, segurança alimentar e oportunidades para quem mais precisa. Estamos falando de transformar a realidade de milhares de famílias no semiárido com soluções sustentáveis e estruturantes”, afirmou a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

Desenvolvida em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA/ONU) e o Green Climate Fund (GCF), a iniciativa Sertão Vivo é apresentada pela ONU como um modelo de financiamento combinado (blended finance), capaz de articular recursos públicos e internacionais para ampliar o impacto das políticas de desenvolvimento sustentável. O programa apoia projetos estaduais voltados à transformação dos sistemas produtivos no semiárido, com foco na adaptação às mudanças climáticas e no fortalecimento das economias locais.

Na prática, a iniciativa atua diretamente na vida da população ao promover o acesso à água para produção, por meio de tecnologias de captação, armazenamento e reuso, além da adoção de sistemas produtivos resilientes ao clima, como agroflorestas e quintais produtivos. As ações contribuem para diversificar a produção, aumentar a produtividade, garantir segurança alimentar e estabilizar a renda das famílias, ao mesmo tempo em que reduzem a vulnerabilidade às secas e estimulam a permanência de jovens no campo.

“A iniciativa combina assistência técnica, acesso à água e apoio à produção para fortalecer a resiliência das famílias e dos territórios. É uma atuação integrada, que chega na ponta e ajuda a estruturar um novo modelo de desenvolvimento para o semiárido, mais sustentável e inclusivo”, destacou a superintendente da Área de Desenvolvimento Social e Gestão Pública do BNDES, Ana Cristina Costa.

Os impactos também se estendem ao meio ambiente, com a recuperação de áreas degradadas, a redução de emissões de gases de efeito estufa e o fortalecimento da capacidade de adaptação das comunidades frente ao aumento da frequência e intensidade das secas no semiárido.

O reconhecimento ocorre em um contexto de crescente centralidade do conceito de transição justa na agenda climática global. Segundo a ONU, estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas que incorporam dimensões sociais, como redução de desigualdades e inclusão produtiva, tendem a ser mais eficazes, duradouras e socialmente legítimas.

“Lançamos esta série de estudos de caso do UNEP FI para oferecer ao setor financeiro global inspiração prática e evidências concretas do que é possível realizar em financiamento para uma transição justa. O estudo de caso do BNDES demonstra que não se trata de trocar uma prioridade por outra, mas de resolvê‑las de forma integrada. Ao enfrentar simultaneamente a adaptação climática, o acesso à água e os meios de subsistência rurais, o projeto Sertão Vivo evidencia o valor da abordagem territorial, enraizada nas realidades locais e impulsionada por parcerias. Nosso objetivo com esse trabalho é levar o financiamento da transição justa de um arcabouço teórico para uma realidade operacional nos setores bancário e de seguros — e o BNDES está nos ajudando a abrir esse caminho” ressalta Eric Usher, Chefe da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI).

Ao destacar o Sertão Vivo, o relatório reforça o papel estratégico dos bancos públicos de desenvolvimento na mobilização de recursos, na construção de parcerias e na implementação de soluções inovadoras capazes de alcançar populações vulneráveis, contribuindo para uma transição climática que gere oportunidades e melhore a qualidade de vida nos territórios.

 

Fonte: Agência BNDES de Notícias