Biocombustíveis: Acelen reduz a pegada hídrica no cultivo da macaúba
Publicado em 23/03/2026 às 14:07 edição Lenilde Pacheco
Acelen Agripark desenvolve pesquisa agronômica e práticas de eficiência hídrica - Foto: Acelen Renováveis
Maximizar a eficiência no uso da água, garantindo precisão operacional, sanidade das plantas e escalabilidade com responsabilidade ambiental. Estes são os principais objetivos da Acelen Renováveis, empresa de energia do Mubadala Capital, no que se refere à produção de mudas de macaúba – matéria-prima sustentável e inovadora para o diesel renovável (HVO) e o combustível sustentável de aviação (SAF) – no Acelen Agripark, em Montes Claros (MG), inaugurado em agosto de 2025.
No contexto do Dia Mundial da Água, a iniciativa reforça a importância da gestão responsável dos recursos hídricos no desenvolvimento de novas cadeias produtivas ligadas à transição energética. “Cultivos de alta energia só fazem sentido ambiental se forem capazes de produzir mais biomassa e mais energia por unidade de água utilizada, um dos grandes desafios da agricultura voltada à produção de biocombustíveis”, afirma Victor Barra, diretor de Agronegócio da Acelen Renováveis.
Com 138 hectares, o Acelen Agripark funciona como um centro de pesquisa e desenvolvimento voltado à consolidação da cadeia produtiva da macaúba. O projeto está estruturado com foco em eficiência operacional e no uso responsável dos recursos naturais.
Pegada hídrica
Victor Barra reforça que, para a Acelen Renováveis, o debate sobre água na bioenergia vai além do uso direto do recurso e envolve compreender a relação entre clima, solo, fisiologia da planta e demanda hídrica ao longo do desenvolvimento da cultura.
“A macaúba apresenta um potencial relevante para sistemas produtivos mais resilientes às variações climáticas e com uso mais racional dos recursos hídricos. Mas esse potencial não é automático, ele depende de ciência, tecnologia, manejo responsável e decisões territoriais bem fundamentadas”.
Segundo o diretor, a empresa vem estruturando uma agenda de pesquisa voltada à compreensão da pegada hídrica da cultura. “Estamos investindo em modelagem agronômica preditiva, experimentação multiambiente e tecnologias operacionais que permitem compreender e otimizar a relação entre solo, clima, fisiologia da planta e demanda hídrica. O objetivo é produzir energia renovável com o menor impacto hídrico possível”, afirma Victor.
A companhia também vem consolidando parâmetros técnicos para avaliar de forma comparativa o consumo de água da macaúba em relação a outras culturas agrícolas. Como destacado nas discussões técnicas do projeto, a cultura precisa de água, como qualquer sistema agrícola, mas apresenta potencial para operar com menor demanda hídrica quando comparada a outras oleaginosas utilizadas na produção de biocombustíveis, dependendo do manejo agronômico e das condições de solo e clima.
Bioenergia e recuperação de áreas degradadas
A macaúba apresenta potencial para cultivo em áreas de pastagens degradadas, contribuindo para tornar essas terras novamente produtivas sem pressionar a expansão agrícola sobre novas áreas. Esse modelo permite desenvolver novas cadeias de bioenergia ao mesmo tempo em que promove recuperação produtiva do solo e maior eficiência no uso de recursos naturais.
Para Victor Barra, construir uma nova geração de feedstocks energéticos não é apenas plantar, mas redesenhar sistemas agrícolas inteiros para que sejam mais eficientes, adaptativos e responsáveis no uso da água. “Esse é um compromisso técnico, ambiental e social que precisa acompanhar o avanço da bioenergia”.
O projeto prevê o plantio de mais de 800 mil mudas de macaúba em 1.500 hectares ao longo de 2026, parte de um investimento de US$ 3 bilhões. Quando a biorrefinaria da Acelen Renováveis estiver operando na Bahia, deverão ser produzidos 1 bilhão de litros de biocombustíveis por ano.
Potencial da macaúba
A macaúba é uma planta nativa do Brasil que vem sendo estudada há décadas pelo seu potencial na produção de óleo vegetal destinado à fabricação de biocombustíveis avançados, como o HVO e o SAF.
Além da elevada produtividade de óleo (7 a 10 vezes mais produtiva por hectare plantado em comparação com a soja, por exemplo), a cultura apresenta potencial para cultivo em áreas de pastagens degradadas, contribuindo para tornar essas áreas novamente produtivas e reduzindo a competição com a produção de alimentos.
O desenvolvimento da cadeia produtiva da macaúba envolve etapas de pesquisa genética, produção de mudas, experimentação agronômica e implantação de sistemas produtivos em escala, processos que vêm sendo conduzidos no Acelen Agripark.