Tecnologia da Casa da Moeda dá novo ciclo de vida ao papel-moeda inutilizado
Publicado em 04/03/2026 às 07:34 edição Lenilde Pacheco
Projeto do Instituto Tran$forma produz cadeiras, mesas, esculturas e peças de decoração
Em um movimento que reafirma o compromisso com a sustentabilidade, o Instituto Tran$forma, iniciativa da Equipa Group, está transformando cédulas de real descartadas em matéria-prima para móveis, objetos de decoração e arte utilitária, colocando em prática um dos maiores desafios da economia circular no país.
Com a tecnologia da Tra$forma já utilizada há alguns anos pela Casa da Moeda do Brasil para o reaproveitamento de cédulas descartadas durante o processo produtivo, o país vem avançando na destinação correta desse resíduo estratégico. O tema voltou aos holofotes recentemente após a apresentação do processo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelos diretores Thiago Portela e Carlos Martins, durante visita às instalações da CMB em janeiro, ocasião que marcou o lançamento das medalhas comemorativas dos 90 anos do Salário Mínimo.
A marca Tran$forma surge como a ponte entre essa inovação industrial e o design sustentável. Por meio de um contrato longo-prazo com a Casa da Moeda, a iniciativa captura as toneladas de cédulas descartadas por erros de impressão, corte ou outros defeitos e as incorpora à cadeia produtiva de design e móveis elaborados com material reciclado. Estima-se que duzentas toneladas de cédulas são descartadas todos os anos pela CMB.
“Vimos no resíduo uma oportunidade, não só de reduzir o impacto ambiental desses papéis, mas de criar produtos que tenham significado e propósito pedagógico”, explica Patrício Mariano Malvezzi, CEO da Equipa Group, fundador do Tran$forma. “É ensinar na prática, como colocar a economia circular em ação: prolongar o ciclo de vida de um material que, na ponta do processo, se tornaria lixo.”
A singularidade do projeto está na própria matéria-prima: o papel-moeda é fabricado com fibras de algodão e agentes químicos que conferem resistência e durabilidade superiores ao papel comum, qualidades que se traduzem em produtos robustos após sua transformação.
Entre as peças assinadas pelo Tran$forma estão cadeiras, pufes, mesas, esculturas e peças de decoração que carregam tanto valor estético quanto simbólico. Essa abordagem já rendeu parcerias com designers e ambientes de exposição como a Japan House São Paulo, além de inspirar outras iniciativas de ecodesign em escala nacional.
“Esta é uma solução que pode ultrapassar fronteiras. Queremos que outras empresas e países vejam como é possível transformar resíduo em recurso sem abrir mão de design, com alto valor agregado e responsabilidade socioambiental”, ressalta Malvezzi.
O projeto Transforma é pioneiro na reciclagem de dinheiro no mundo e se baseia nos princípios da economia circular e sustentabilidade. O objetivo do projeto é resgatar materiais que estão fora do ciclo e equilíbrio natural, atribuindo novos propósitos, prolongando seus ciclos e usando as peças como exemplo pedagógico na formação de cidadãos do futuro.