Bahia tem prioridade na restauração de recifes no litoral brasileiro
Publicado em 25/02/2026 às 18:04 edição Lenilde Pacheco
Recifes são os berçários naturais de espécies marinhas - Foto: ICMBio/Gov Federal
Lenilde Pacheco*
Abrigo do maior banco de corais do país, localizado no Parque Nacional Marinho de Abrolhos, a Bahia recebeu prioridade no primeiro projeto do BNDES Corais, iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) voltada ao mapeamento e monitoramento de recifes rasos ao longo da costa brasileira. O estado concentra 30% da área a ser rastreada.
Conhecidos como “florestas tropicais do mar”, devido à elevada biodiversidade, os recifes funcionam como berçários naturais de espécies marinhas, contribuem para a manutenção dos estoques pesqueiros e atuam como barreiras naturais contra a erosão costeira e eventos climáticos extremos.
Os trabalhos técnicos serão executados pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade. Com duração prevista de três anos, o projeto inclui mergulhos científicos, análises ambientais e a produção de mapas técnicos para subsidiar políticas públicas de conservação. Estão assegurados R$ 5,5 milhões do Fundo Socioambiental.
A iniciativa também fortalece a chamada economia do mar. Diversas comunidades do litoral baiano dependem diretamente da saúde dos recifes, seja por meio da pesca artesanal — base de renda e segurança alimentar —, seja pelo turismo ecológico e de mergulho na região de Abrolhos. Também são impactadas cadeias produtivas ligadas à gastronomia e ao comércio local.
Além da Bahia, o BNDES Corais será executado em Pernambuco, Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Paraíba e Maranhão. Estão previstas expedições de campo, mergulhos científicos e análises de dados ambientais para monitorar recifes ao longo de 2,8 mil quilômetros do litoral brasileiro.
O contrato já assinado autoriza o início da execução de uma das operações aprovadas no âmbito do programa. Serão elaborados mapas e relatórios científicos para fortalecer a conservação marinha. As atividades alcançarão dez unidades de conservação, com a realização de mais de 40 eventos técnicos e oficinas ao longo da costa.
Entre os destaques estão ações práticas de restauração ecológica, como o cultivo de corais no mar e em laboratório, testes de diversidade genética e recomposição de áreas degradadas, com ênfase na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Coroa Alta, no sul do estado.
A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, afirma que o BNDES Corais foi estruturado para integrar conservação ambiental, produção de conhecimento e inclusão social. “Demonstramos que é possível proteger os recifes e, ao mesmo tempo, fortalecer comunidades costeiras com o desenvolvimento sustentável”, resume.
Uma das metas é impulsionar ações de turismo de base comunitária já desenvolvidas pelo Instituto Nautilus. Em Santa Cruz Cabrália, nas comunidades pesqueiras de Santo Antônio e Santo André, o projeto prevê capacitações, oficinas de empreendedorismo, mentorias e apoio à estrutura produtiva local, incluindo o beneficiamento de produtos como coco e dendê. A expectativa é beneficiar cerca de 230 famílias, gerando renda e reduzindo a pesca predatória.
Com o monitoramento sistemático, equipes especializadas poderão identificar áreas mais vulneráveis, avaliar impactos de eventos como ondas de calor, planejar ações de restauração e apoiar políticas públicas baseadas em evidências científicas. A Bahia concentra cerca de 30% da área a ser monitorada ao longo da costa brasileira, exercendo papel estratégico na conservação dos recifes rasos.
* Lenide Pacheco é jornalista especializada em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.