img
img

Marina Grossi propõe ênfase do setor privado na transição climática

Publicado em 19/10/2025 às 09:07 edição Lenilde Pacheco


img

Itens propostos incluem valorização da bioeconomia e a regeneração de áreas degradadas - Foto: CEBDS/Divulgação

A um mês da COP30, a presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, divulgou sua segunda carta como enviada especial do setor empresarial para a COP30. No documento, ela reforça a necessidade do setor privado em assumir o protagonismo na transição climática e no desenvolvimento e implementação de soluções sustentáveis

Confira na íntegra:

Segunda Carta da Enviada Especial do Setor Empresarial para a COP30, Marina Grossi

“Prezados(as),

Estamos a um mês da COP30, que será certamente um marco histórico para o Brasil e para o mundo. Nos últimos meses, acompanhei, como Enviada Especial para o Setor Empresarial, uma jornada intensa de diálogo e construção coletiva, marcada por uma mobilização sem precedentes. No espírito do mutirão, participamos de diversos fóruns, como a Semana do Clima de Nova York, que reuniu mais de mil eventos e lideranças globais, reforçando que a transição climática exige ação cooperativa em escala.

Nesses meses, tornou-se evidente que as soluções estão ao nosso alcance, mas para atingirem a escala necessária ainda dependem de recursos adequados e acessíveis nos países e regiões que mais precisam deles. É preciso direcionar mais investimentos para transição energética no Sul Global; criar mecanismos financeiros que reduzam riscos e aumentem a previsibilidade de projetos de baixo carbono; harmonizar mercados e padrões de carbono; ampliar a transparência nas cadeias de suprimentos; investir na capacitação da força de trabalho para a nova economia; além de valorizar a bioeconomia, os biocombustíveis e a regeneração de áreas degradadas como pilares de um novo ciclo de desenvolvimento sustentável. Não menos importante é fortalecer uma governança efetiva e multinível, com regras claras, capaz de envolver governos, empresas, comunidades e sociedade civil na implementação das soluções.

Essas conclusões reforçam que não há uma solução única, mas um mosaico de soluções complementares e o setor empresarial tem papel central em implementá-las com velocidade e ambição.

A Agenda de Ação da COP30, construída a partir de milhares de contribuições de todo o mundo, apresentará em Belém a plataforma Celeiro de Soluções (Granary of Solutions), que reúne casos de sucesso e soluções escaláveis e alinhadas ao Balanço Global (Global Stocktake) e aos objetivos do Acordo de Paris. Também serão apresentadas dezenas de Planos de Aceleração de Soluções que são mapas com clara orientação para a implementação da transição. O setor empresarial estará à frente de muitas dessas iniciativas, mostrando o que já faz, assumindo novos compromissos e apontando o que falta para alavancar essas soluções e torná-las amplamente adotadas.

Existem áreas temáticas onde o avanço na criação de convergências é decisivo para acelerar a descarbonização e gerar oportunidades concretas:

Energia e Indústria: ampliação da geração renovável, modernização das redes elétricas, uso de hidrogênio de baixo carbono, produção de aço e cimento de baixas emissões e expansão dos combustíveis sustentáveis — etanol, biodiesel, diesel verde e SAF. Integração de data centers, inteligência artificial e digitalização com energia renovável e infraestrutura resiliente.

Transporte e Logística: eletrificação de veículos, desenvolvimento de cadeias de baterias e infraestrutura de recarga, substituição de modais e aumento da eficiência logística.

Agricultura e Uso da Terra: recuperação de áreas degradadas, expansão de práticas agrícolas sustentáveis e redução das emissões agropecuárias de metano e óxido nitroso (N₂O).

Florestas: redução do desmatamento e valorização das florestas em pé como ativos econômicos e climáticos.

O avanço da ação climática também depende dos meios de implementação. Precisamos de mecanismos financeiros inovadores, como o Tropical Forest Forever Facility (TFFF) — que deverá ser formalmente lançado na COP30 e oferecerá pagamentos anuais a países tropicais que mantêm suas florestas em pé —, dos Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) e do aumento do financiamento global, rumo à meta de US$ 1,3 trilhão por ano.

Some-se a isso o desafio de envolver o setor empresarial de forma mais direta nos esforços de adaptação climática, especialmente na construção de infraestrutura resiliente e soluções que aumentem a capacidade de resposta a eventos extremos.

O Brasil tem sido protagonista não apenas político — com a direção propositiva, ambiciosa e inclusiva da Presidência da COP30 —, mas também empresarial, com coalizões que já apresentam resultados concretos, como o Brasil de Soluções, liderado pelo CEBDS, a SBCOP30 e outras plataformas que conectam inovação, finanças e sustentabilidade. Todos esses esforços estarão integrados à plataforma da Agenda de Ação.

Belém será o palco para mostrar ao mundo que as soluções existem e que podem ser ampliadas e alavancadas com as políticas certas, os investimentos necessários e o dinamismo do setor privado.

Convido o setor empresarial a estar presente com propostas, compromissos e resultados, e com o entusiasmo necessário para que possamos, juntos, fazer da COP30 um marco histórico na implementação da descarbonização global com justiça, sustentabilidade e prosperidade.

Atenciosamente,

Marina Grossi
Enviada Especial do Setor Empresarial Para a COP30″