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Economia circular terá destaque entre estratégias em debate na COP 30

Publicado em 29/09/2025 às 07:25 edição Lenilde Pacheco


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Saville Alves: "Estamos transformando resíduos em soluções, incluindo a revisão do modelo econômico" - Foto: Tayse Argolo/Divulgação

A economia circular estará entre os pilares das discussões globais sobre clima e desenvolvimento sustentável, durante a COP 30, que será realizada em Belém (PA), no próximo mês de novembro. A proposta de repensar os modelos tradicionais de produção e consumo – substituindo a lógica linear do “extrair, produzir e descartar” por ciclos que priorizam reaproveitamento, reciclagem e redução de desperdícios – se torna cada vez mais urgente diante da crise climática e da pressão sobre os recursos naturais.

Especialistas apontam que adotar práticas circulares pode reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa, já que grande parte delas está associada à extração de matérias-primas e à gestão inadequada de resíduos. Além disso, a economia circular favorece a geração de empregos verdes, estimula a inovação tecnológica e fortalece cadeias produtivas locais, tornando-se também uma estratégia de desenvolvimento econômico.

Para países em desenvolvimento, como o Brasil, o tema ganha peso adicional. O país possui potencial para liderar iniciativas circulares em setores como agricultura, mineração, indústria de embalagens e construção civil, aproveitando a diversidade de recursos e a força de sua bioeconomia. A realização da COP 30 em território amazônico reforça o simbolismo: discutir novos modelos produtivos em uma região que concentra tanto riqueza natural quanto desafios de preservação.

Para Saville Alves, cofundadora e líder de negócios da SOLOS, essa temática avança agora de forma estratégica. À frente da empresa de impacto socioambiental, que transformou mais de 1.700 toneladas de resíduos em impacto econômico, social e ambiental, gerando R$ 6,5 milhões em renda para catadores e cooperativas, Saville lembra que, nas COPs, sempre se falou em transição energética, na importância dos biomas e das florestas, mas pela primeira vez a economia circular terá espaço exclusivo na programação oficial.

“Isso representa uma ampliação do olhar sobre a crise climática, colocando em evidência a maneira como produzimos e consumimos. Ao estimular governos, empresas e cidadãos a repensarem o design e necessidade dos produtos, trazendo aumento da durabilidade, reutilização e reciclagem como caminhos relevantes de impacto ambiental e geração de valor para a sociedade”, explica Saville.

A economia circular está diretamente ligada à preservação dos biomas. Quando se utiliza plástico, papel ou ferro reciclados, evita-se a extração de matéria-prima virgem, o que significa menos desmatamento, menos mineração e menores emissões de carbono. “Esse modelo é uma oportunidade concreta de transformar resíduos em soluções, revisando o modelo econômico em que vivemos para promover inclusão e regeneração”, completa a executiva.

Saville acredita que ao trazer o tema para o centro das discussões, a COP 30 marca uma mudança de paradigma. A circularidade econômica passa a ser vista não apenas como uma estratégia de gestão de resíduos, mas como um pilar para acelerar a transição climática e garantir a proteção dos ecossistemas. “O encontro em Belém, ao dedicar espaço inédito para o assunto, consolida a economia circular como parte essencial da resposta global à crise ambiental”, conclui.

Sobre a SOLOS:

A SOLOS é uma startup de impacto que atua junto a territórios e marcas para apoiá-los na superação dos desafios relacionados à economia circular. Por meio de sistemas inteligentes, conteúdos e experiência em gestão de resíduos em grande eventos, a companhia promove o descarte correto de embalagens pós-consumo, melhorando a vida de todos: dos catadores às tartarugas marinhas. Em cinco anos, a empresa já realizou parcerias com marcas como Ambev, Braskem, iFood, Nubank e Coca-Cola e coletou mais de 1.700 toneladas de resíduos, gerando R$6,5 milhões em renda para os catadores.