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Sustentabilidade: Marina Grossi destaca papel estratégico das empresas na COP30

Publicado em 04/09/2025 às 11:26 edição Lenilde Pacheco


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Marina Grossi: é preciso estruturar soluções de grande impacto - Foto: Divulgação

A presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, divulgou sua primeira carta como Enviada Especial para o Setor Empresarial à COP30, destacando o papel estratégico das empresas na COP da implementação. Marina reforça que o setor privado será protagonista na transformação de compromissos em ações concretas, mensuráveis e de alto impacto, em parceria com governos, setor financeiro e sociedade civil.

Confira na íntegra:

Carta da Enviada Especial para o Setor Empresarial, Marina Grossi

Nas últimas três décadas, o multilateralismo na agenda climática avançou de forma significativa na construção de consensos e de um arcabouço jurídico internacional que, ao mesmo tempo em que respeita as individualidades dos países, almeja que a humanidade caminhe rumo a uma sociedade global próspera, sustentável e justa. Hoje, contamos com um sistema internacional maduro, que nos oferece muito mais segurança e a certeza de que este é o caminho inequívoco a seguir.

A COP30 é a COP da implementação. E, por sua própria natureza, o setor empresarial está destinado a liderar a transformação das metas e compromissos em ações concretas — um processo construído a muitas mãos. O setor privado tem muito a contribuir, a propor e a entregar.

Tive a honra de ser nomeada, pelo Presidente da COP30, Enviada Especial para o Setor Empresarial, com a missão de atuar como ponte estratégica entre as empresas e a liderança da Conferência. Meu papel é facilitar o fluxo de informações, articular soluções e identificar alavancas com alto potencial de transformação, assegurando que o setor empresarial, no Brasil e no mundo, contribua de forma concreta, mensurável e alinhada à mais alta ambição climática da COP30.

A Presidência brasileira da COP30, em sua 7ª carta, faz um chamado urgente para que os líderes empresariais se unam ao mundo em Belém, em um momento decisivo para transformar compromissos em implementação concreta. O setor privado é visto como parceiro indispensável da Agenda de Ação Climática, impulsionando soluções sustentáveis, resultados mensuráveis e investimentos que tornarão a ação climática a maior oportunidade de negócios do nosso tempo.

Guiados, em âmbito global, pelas recomendações do Balanço Global (o Global Stocktake – GST); em âmbito nacional, pelas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs); e em âmbito empresarial, pelos planos de transição corporativos e estratégias setoriais consolidadas em coalizões e iniciativas, propomos uma agenda ampla, inclusiva e focada, para chegarmos a Belém com entregas de impacto.

Na agenda de ação, estou atuando especificamente no objetivo 2, voltado à aceleração de tecnologias de zero e baixas emissões em setores de difícil descarbonização, e também, de forma transversal, em outros temas cruciais para o setor empresarial, como energia, agricultura, bioeconomia, mercado de carbono e financiamento.

Para isso, estamos trabalhando, junto à Presidência e Diretoria-executiva da COP30, respectivamente, André Corrêa do Lago e Ana Toni, bem como com a equipe do High-Level Champion da Conferência, Dan Ioschpe, em três frentes:

1. Elaborar um balanço dos avanços alcançados nos últimos dez anos, desde o Acordo de Paris, no âmbito da agenda de ações voluntárias do setor empresarial.

2. Consolidar, em plataformas e bancos de casos, tecnologias e soluções de sucesso, permitindo que sejam vistas e replicadas.

3. Estruturar soluções de grande impacto, capazes de orientar as principais trilhas de descarbonização e de resiliência para a próxima década.

Os objetivos da COP30 só serão alcançados por meio de um esforço coletivo, catalisando iniciativas existentes e valorizando o que já está em curso no Brasil e no mundo. Tenho trabalhado para facilitar a atuação do setor empresarial nos Grupos de Ativação, para tanto, venho apoiando a escuta ativa e a articulação de compromissos, soluções escaláveis, investimentos e política. Desta forma, poderemos formalizar soluções de impacto com potencial de transformação sistêmica nos eixos de energia, indústria, agricultura, florestas, finanças e outros temas transversais.

Nesse sentido, estamos estruturando uma agenda para assegurar que as vozes do setor empresarial sejam ouvidas e transmitidas de forma clara à Presidência da COP30. Além da minha atuação à frente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), tenho promovido reuniões com parceiros estratégicos como We Mean Business Coalition (WMBC), World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), Bloomberg e SBCOP30, bem como atuado de forma colaborativa com outros Enviados Especiais e empresas de diferentes setores.

O objetivo é preparar diálogos qualificados entre diversos atores, capazes de gerar entregas concretas nos Planos de Aceleração de Soluções. Teremos momentos estratégicos — como a New York Climate Week, a Cumbre Perú Sostenible, o Innovation Summit, em São Paulo, e a Pré-COP, em Brasília — para aprofundar debates e avançar em propostas consensuais. Já avançamos em iniciativas como as coalizões empresariais nas áreas de transporte, energia elétrica, agricultura, minerais e outras em elaboração, além de metodologias pioneiras em agricultura regenerativa e economia circular, avanços em mercados de carbono, biocombustíveis e inovação financeira. Trata-se de um esforço de articulação nacional e internacional que busca não apenas dar visibilidade a bons exemplos, mas sobretudo ampliar sua escala e impacto como contribuições concretas para a COP30 e além.

Conto com a participação do setor empresarial, com seu espírito visionário e capacidade de identificar oportunidades, para orientar e acelerar soluções que façam da COP30 um marco da ação climática global. Em parceria com governos, sistema financeiro e sociedade civil, construiremos um futuro mais próspero, justo e sustentável.