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Economia Circular: Papel-moeda é utilizado para produzir objetos de decoração

Publicado em 27/03/2025 às 17:15 edição Lenilde Pacheco


A economia circular tem se consolidado como um pilar estratégico para o setor industrial brasileiro. De acordo com um estudo recente realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com o Centro de Pesquisa em Economia Circular da Universidade de São Paulo (USP), 85% da indústria nacional já adota práticas diárias alinhadas à sustentabilidade e ao reúso de materiais. Esse avanço reflete o compromisso crescente do setor com a inovação e a eficiência de recursos, reduzindo desperdícios e impactos ambientais.

Segundo a pesquisa Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2023, lançada pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (ABREMA), cerca de 43% de todo o lixo gerado no país tiveram descarte irregular – o número corresponde a 33,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos indo parar em lixões, valas, terrenos baldios e córregos urbanos, ameaçando a saúde pública e o meio ambiente.

Existe também a necessidade de garantir o descarte adequado de cédulas de dinheiro. Duas mil toneladas são descartadas pelo Banco Central do Brasil (BC) e cerca de duzentas toneladas são descartadas só pela Casa da Moeda brasileira por erros de impressão, corte ou outros defeitos. As notas são trituradas por máquinas específicas, reduzindo-as a pequenos fragmentos. Esse processo é realizado nas unidades do Banco Central que possuem equipamentos adequados para garantir a destruição completa das cédulas.

Os resíduos das cédulas trituradas podem ter diferentes destinos, dependendo da política ambiental. Parte do material pode ser reaproveitada para produção de novos produtos, como papel reciclado ou até materiais para compostagem. Quando a reciclagem não é viável, os resíduos podem ser descartados em aterros sanitários.

Entre as iniciativas pioneiras neste setor, destaca-se a Tran$forma, uma solução desenvolvida pela Equipa Group para enfrentar um desafio global: o destino dos resíduos dessas cédulas. Com um conceito baseado na economia circular, a iniciativa transforma papel-moeda inutilizado em novas aplicações sustentáveis, contribuindo para a redução do desperdício e para a geração de valor a partir de materiais que antes seriam descartados.

“Transformamos resíduos da produção do meio circulante nacional em recursos valiosos, prolongando a vida útil dos materiais e consolidando o caminho para um futuro sustentável. Com toneladas de cédulas sendo descartadas todos os anos, usamos a criatividade e decidimos dar um novo ciclo de vida a esse dinheiro”, conta Patrício Mariano Malvezzi, CEO da Equipa Group e responsável pelo Projeto Tran$forma.

A ideia envolve um projeto exclusivo que transforma o papel-moeda em mobiliário, artigos de decoração, obras artísticas e peças com diversas utilidades. “As soluções são inúmeras, porque é possível misturar os resíduos com diferentes tipos de material e gerar novos ciclos de vida. Podemos fazer, por exemplo, um Cristo Redentor para decoração feito com poliéster ou filamentos de impressão 3D ou uma cadeira, por exemplo, que foi nossa proposta realizada com a Seat&Co, maior fabricante de cadeira de design e eventos da América Latina. O papel moeda hoje tem um valor intrínseco muito importante”, destaca Patrício.

O objetivo do projeto é resgatar materiais que estão fora do ciclo e equilíbrio natural, atribuindo novos propósitos e prolongando seus ciclos. Hoje, o Brasil é o único país no mundo a realizar esta transformação e o modelo de gestão e logística está sendo apresentado em diversos países.

Essa abordagem inovadora redefine o conceito de sustentabilidade na indústria, criando soluções que equilibram o impacto social, ambiental e econômico. Com a crescente adesão às práticas circulares, empresas brasileiras estão reforçando seu papel na construção de uma economia mais sustentável e resiliente. O avanço da economia circular não apenas minimiza impactos ambientais, mas também gera novas oportunidades de negócio e reforça a posição do Brasil como um dos protagonistas globais na transição para um modelo econômico mais sustentável.

“Acredito que tanto meu objetivo quanto desses outros empresários seja integrar soluções inovadoras ao setor industrial e financeiro, garantindo que os resíduos de lixos ou de cédulas tenham um destino responsável e contribuam para um ciclo produtivo mais eficiente”, conclui o executivo.