Opinião
O El Niño, fenômeno climático natural que ocorre de forma periódica, volta ao centro do debate diante da previsão de um novo episódio entre 2026 e 2027. Nesse contexto, buscar informação de qualidade, exigir transparência de governos e empresas e valorizar práticas socioambientais consistentes são medidas fundamentais, alerta o especialista Edson Grandisoli.
Eventos climáticos extremos deixaram de ser uma hipótese para se tornarem uma realidade recorrente. A maior vulnerabilidade encontra-se, muitas vezes, na dificuldade de transformar a experiência da crise em capacidade permanente de adaptação. É justamente por isso que a governança importa, alerta Cláudia Pitta, diretora jurídica da CoalizãoRS.
Enquanto meteorologistas e produtores acompanham os sinais de um possível Super El Niño, o país volta a encarar uma velha vulnerabilidade: a dificuldade de se preparar financeiramente para eventos climáticos extremos, analisa o especialista Fábio Damasceno, diretor técnico de seguro rural da Mapfre.
A cada ciclo de Copa do Mundo, Olimpíadas ou grandes eventos internacionais, uma pergunta inevitavelmente volta ao debate público: qual legado ficará depois que as luzes se apagarem? O legado da infraestrutura também precisa ser avaliado pela forma como é concebida, construída e integrada aos desafios ambientais na atualidade, propõe a especialista Ana Belizário.
Uma embalagem reciclável é tecnicamente apta a ser reprocessada. Uma embalagem reciclada, de fato, percorreu toda a cadeia: foi coletada, triada, processada e virou matéria-prima nova. A diferença parece semântica, mas não é. A meta de reciclagem subiu de 10% para 32%, e a taxa geral permanece estagnada abaixo de 9%.
Sustentabilidade já foi tratada na construção civil como um “plus”: algo desejável, mas opcional. Esse raciocínio não se sustenta. Hoje, construir de forma sustentável deixou de ser uma escolha e passou a ser um imperativo econômico. É preciso redesenhar o modo de construir, argumenta Alberto Kunath, cofundador e CEO da Kronan.
A emergência climática é uma realidade com impactos econômicos, sociais e ambientais imediatos. Secas prolongadas, enchentes históricas e insegurança hídrica já afetam a competitividade das empresas. Debater esse tema vai além da conservação da natureza: significa discutir desenvolvimento econômico, alerta o gerente de Agricultura e Florestas Pacto Global da ONU – Rede Brasil, Hugo Ricardo.
O Brasil abriga algumas das maiores riquezas ambientais do planeta. Da Mata Atlântica ao Pantanal, da Amazônia ao Rio São Francisco, temos um patrimônio natural que não pertence apenas à nossa geração. Por isso, proteger a natureza é uma obrigação. A pergunta é: estamos protegendo da forma correta?, questiona Ademar Batista Pereira, presidente do Instituto Destino Brasil.
Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam 80% de probabilidade de ocorrência de um El Niño de intensidade moderada a forte no segundo semestre deste ano. O alerta se refere a quanto e quando vai chover, restando evidente o risco de ocorrerem lacunas hídricas severas.
Este ano, o outono chegou com um lembrete incômodo: os reservatórios de água mais vazios mostram que a escassez não é capricho da natureza, mas um erro de gestão, alerta a especialista Laura Guimarães, apontando soluções como a restauração ecológica feita pela Symbiosis, no extremo Sul da Bahia.
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