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Durante a Pré-COP30, CNI propõe ações para futuro mais sustentável

Publicado em 30/10/2025 às 07:12 edição Lenilde Pacheco


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Debate indicou os pilares para o desenvolvimento sustentável e competitividade industrial - Foto: Yoel Winkler/Unsplash

Antes das decisões globais que serão tomadas em novembro, em Belém, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reuniu em Brasília, na Pré-COP30, os setores público e privado, além de especialistas, para debate focado em um futuro mais sustentável. Participaram representantes do governo, CEOs e analistas para juntar esforços, construir convergências e elaborar ações focadas em um futuro mais sustentável.

Conversas e diálogos trouxeram pontos importantes de reflexão; colocaram na mesa estratégias para o movimento em prol de uma indústria – e uma sociedade – em sintonia com a dobradinha de desenvolvimento sustentável e competitividade industrial. Confira os dez pontos amplamente discutidos:

1. Cidades sustentáveis e resilientes
Foi levantada a importância de pensar nas estruturas das cidades para lidar com as mudanças climáticas. O caminho passa por parcerias público/privado e também pela indústria. O saneamento básico apareceu como chave nesse processo, protagonista na transição urbana sustentável. “Cidades resilientes, sob a ótica do saneamento, promovem inclusão social. Saneamento básico é saúde, essencialmente saúde. E, antes de ser infraestrutura, saneamento é levar dignidade às pessoas, levantou Rogério Tavares, vice-presidente de Relações Institucionais da Aegea Saneamento.

2. Potencial brasileiro em biocombustíveis
Esse foi apontado como um grande diferencial do país, mas é preciso unir regulação com financiamento para que o mercado ganhe força. Carlos Victal, gerente de Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), afirmou que o Brasil tem condições de dominar o mercado global de biocombustíveis. “ O país já produz biodiesel de alta qualidade, capaz de competir com os mercados europeu e asiático. É importante diversificar as rotas tecnológicas, incluindo opções menos discutidas como o diesel de refinaria renovável. A abertura para novos tipos de combustíveis e tecnologias é essencial para manter o avanço da transição energética”, defendeu.

3. A COP não é um ponto de chegada, mas parte do caminho
Essa foi uma visão reforçada na Pré-COP30. A visão é que a agenda climática exige protagonismo e engajamento efetivo do setor privado, não apenas em novos compromissos, mas na implementação de ações. Dentro desse propósito, a CNI colocou o Financiamento Climático como pilar central das propostas da indústria. O setor defende que a COP30 avance com o plano de ação (Roadmap Baku-Belém) para mobilizar a Nova Meta Coletiva Quantificada (NCQG), que pode chegar a US$ 1,3 trilhão/ano até 2035, e destravar recursos para a transição energética global.

4. Habilidades e empregos verdes para uma transição justa
Como preparar a força de trabalho diante das transformações ambientais e tecnológicas? Juliano Miguel Braga Griebeler, diretor de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Cogna, disse que o desenvolvimento da capacidade de aprendizado contínuo da força de trabalho deve ser prioridade. “Sabemos que cada vez mais as profissões que existem hoje podem ser substituídas, e precisamos qualificar e requalificar a mão de obra”, afirmou. Mateus Simões de Freitas, gerente de Educação Profissional e Superior do SENAI, destacou a necessidade de alinhar competências verdes às demandas da indústria. “Vemos a necessidade de profissionais com essas competências presentes nas empresas, sejam micro, médias ou grandes. O Senai vem atuando para apoiar essa internacionalização de competências”, ressaltou.

5. Soluções baseadas na natureza como caminhos para ação climática
David Canassa destacou a importância das florestas para a ação climática no contexto do sul global e reforçou o compromisso brasileiro com a restauração de áreas degradadas. “Quando a gente pensa no sul global, as operações industriais estão dentro do campo e a agricultura ainda vai crescer muito — e temos nas florestas um potencial estratégico. Uma coisa que a gente aprendeu a manejar ao longo de milhares de anos é a floresta, tanto para o bem quanto para o mal. Está na hora de usar cada vez mais para o bem, tanto as florestas conservadas quanto as que precisam ser reconstruídas”.

6. Inovação e financiamento para sistemas alimentares sustentáveis
Daniela Carabinato, sócia da Bain & Company e Knowledge Parter do GT de Food Systems da SB COP, destacou o peso dos sistemas alimentares para a economia global. “De 35% a 40% dos empregos globais estão associados à cadeia de produção de alimentos, que também representa cerca de 10% do PIB mundial. Trata-se, portanto, de um setor muito importante. No entanto, ele ainda carrega desafios estruturais que, quando transformados, podem torná-lo um dos grandes contribuintes para as ações de mitigação climática, além de cumprir seu papel de fornecer alimento para toda a população mundial”, afirmou. Representando a JBS, Liege Correia e Silva alertou para o descompasso entre os anúncios de financiamento climático e o que efetivamente chega aos produtores. “Podemos perceber com os números que o que chega de financiamento para o Brasil, e principalmente para o produtor, é uma parcela muito pequena do que anunciamos. Fala-se muito em financiamento climático, mas não chega para o produtor”, ressaltou.

7. Caminhos de neutralidade climática sem perder competitividade
A pergunta central do painel 10 desafiou os participantes a refletirem sobre as melhores rotas de descarbonização que permitam à indústria brasileira atingir metas climáticas sem comprometer sua competitividade. Representando o governo federal, Julia Cruz, secretária nacional de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, destacou a relevância do setor químico brasileiro e sua performance em relação a outros mercados. “A indústria química é a 4ª maior do mundo e produz com uma pegada de carbono menor que a média internacional. Nossa pegada é 35% menor que a da Europa, por exemplo”, afirmou. O debate reforçou que a descarbonização da indústria brasileira já está em curso, mas depende de avanços regulatórios, investimentos tecnológicos e articulação política internacional.

8. Papel do Brasil no ambiente global
“O Brasil tem feito a lição de casa no que eu considero os três pilares para a gente endereçar o posicionamento do Brasil no ambiente global: previsibilidade regulatória, aprimorar o marco de governança climática e trabalhar bastante nos instrumentos inovadores de financiamento inovadores. E o Eco Invest é o melhor exemplo que a gente tem”, afirmou Natalia Dias, diretora de Mercado de Capitais e Finanças Estruturadas para a América Latina e Caribe do BID Invest. O Eco Invest é um dos principais instrumentos da agenda Novo Brasil para a sustentabilidade. Foi pensado para desengavetar investimentos privados e atrair recursos externos de longo prazo.

9. Economia circular: investimento no design criativo para facilitar uso e reaproveitamento
Os palestrantes apostaram nos cases de economia circular. Um foi o da Braskem. Ela atua em três frentes: redução da emissão de gases de efeito estufa com o desenvolvimento de soluções para a melhoria da pegada de carbono em produtos e processos; estratégias de economia circular para o final da vida útil dos produtos; e a atuação no design para embalagens mais sustentáveis que possam facilitar a reciclagem e a praticidade do consumidor. Outro foi o da Ambev com a água mineral em lata, a AMA. A venda do produto reverte 100% do lucro para projetos de infraestrutura que leva água limpa a quem precisa, principalmente na região semiárida do país.

10. Descarbonização da indústria energointensiva
Energointensiva se refere ao processo de reduzir drasticamente ou eliminar as emissões de gases de efeito estufa (GEE), principalmente o dióxido de carbono (fórmula química CO2), originados pelos setores industriais.
A Indústria Energointensiva se refere às indústrias que dependem de processos que exigem uso maciço de calor, eletricidade ou ambos, e que, historicamente, utilizam combustíveis fósseis (como carvão e gás natural) ou processos químicos que liberam CO2 como subproduto inevitável.

O assunto foi pauta na Pré-COP30 na tentativa de discutir caminhos viáveis e estratégias inovadoras para a transição do setor, considerando os desafios tecnológicos, regulatórios e econômicos. A descarbonização da indústria brasileira, especialmente dos setores energointensivos, é um dos pilares para o cumprimento das metas climáticas nacionais e para a construção de uma economia de baixo carbono”, completou a especialista da CNI, Rafaela Aloise.